Crença 5 · Doutrina: Deus
O Espírito Santo
Aparência da leitura
Toque em uma citação bíblica para ler seus versículos e em um número entre colchetes para ver a referência.
O Espírito Santo
Deus, o Espírito Santo, desempenhou uma parte ativa com o Pai e o Filho na criação, encarnação e redenção. Ele é uma pessoa tanto quanto o Pai e o Filho. Inspirou os escritores das Escrituras. Encheu de poder a vida de Cristo. Atrai e convence os seres humanos; e os que se mostram sensíveis são renovados e transformados por Ele à imagem de Deus. Enviado pelo Pai e pelo Filho para estar sempre com seus filhos, Ele concede dons espirituais à igreja, a habilita a dar testemunho de Cristo e, em harmonia com as Escrituras, guia-a em toda a verdade (Gn 1:1, 2; Lc 1:35; 4:18; At 10:38; 2Pe 1:21; 2Co 3:18; Ef 4:11, 12; At 1:8; Jo 14:16-18, 26; 15:26, 27; 16:7-13).
O Espírito Santo
Embora a crucifixão houvesse aterrorizado, angustiado e espantado os seguidores de Jesus, a ressurreição fez raiar a manhã em suas vidas. Quando Cristo rompeu os grilhões da morte, o reino de Deus amanheceu em seus corações.
A partir de então, um fogo inextinguível ardia em suas almas. Diferenças que poucas semanas antes haviam erguido barreiras aparentemente intransponíveis entre os discípulos, desapareceram. Confessaram suas faltas uns aos outros e abriram o coração para receber mais plenamente a Jesus, seu Rei que retornara ao Céu.
A unidade desse rebanho outrora tão disperso crescia à medida que cada dia era dispendido em oração. Em certo dia inesquecível, eles se encontravam louvando a Deus quando um ruído, semelhante ao barulho de um furacão, irrompeu em meio ao grupo. Como se a chama ardente em seus corações pudesse se tornar visível, línguas de fogo desceram do Céu sobre a cabeça de cada um deles. À semelhança de um fogo devorador, o Espírito Santo descera sobre eles.
Cheios do Espírito Santo, os discípulos eram incapazes de conter seu novo e ardente amor e regozijo em Jesus. Pública e entusiasticamente, começaram a proclamar as boas-novas da salvação. Advertidos pelo som, as pessoas que compunham a multidão de cidadãos locais, junto aos peregrinos provenientes de muitas nações, correram em direção ao prédio. Cheios de admiração e um tanto confusos, eles escutaram – em seus próprios idiomas – o poderoso testemunho das extraordinárias obras de Deus, apresentado pelos despretensiosos galileus.
“Não consigo entender”, disse alguém. “O que significa isto?” Outros tentaram fazer pouco caso, afirmando: “Eles estão bêbados.” “Nada disso”, exclamou Pedro, acima do ruído da multidão. “São apenas nove horas da manhã. Aquilo que vocês ouviram e viram, está ocorrendo porque o ressurreto Jesus Cristo está sendo exaltado à mão direita do Pai e nos está concedendo agora o Espírito Santo” (cf. At 2).
Quem é o Espírito Santo?
A Bíblia revela que o Espírito Santo é uma pessoa, e não uma força ou poder impessoal. Afirmações como esta: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15:28) revelam que os cristãos apostólicos o vislumbravam como uma pessoa. Cristo igualmente falou dele como uma pessoa distinta. “Ele me glorificará”, disse Jesus, “porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16:14). As Escrituras, referindo-se ao Deus triúno, descrevem o Espírito como uma pessoa (Mt 28:19; 2Co 13:13).
O Espírito Santo possui personalidade. Ele contende (Gn 6:3), ensina (Lc 12:12), convence (Jo 16:8), dirige os assuntos da igreja (At 13:2), auxilia e intercede (Rm 8:26), inspira (2Pe 1:21) e santifica (1Pe 1:2). Essas atividades não podem ser executadas por um mero poder, influência ou atributo de Deus. Somente uma pessoa pode empreendê-las.
O Espírito Santo é verdadeiramente Deus
As Escrituras veem o Espírito Santo como sendo Deus. Pedro mostrou a Ananias que, mentindo ao Espírito Santo, ele mentira “não [...] aos homens, mas a Deus” (At 5:3, 4). Jesus definiu o pecado imperdoável como sendo a “blasfêmia contra o Espírito”, dizendo: “Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir” (Mt 12:31, 32). Essa afirmação é verdadeira uma vez que o Espírito Santo realmente é Deus.
As Escrituras associam atributos divinos ao Espírito Santo. Ele é vida. Paulo se refere a Ele como o “Espírito da vida” (Rm 8:2). Ele é verdade. Cristo o identificou como o “Espírito da verdade” (Jo 16:13). As expressões “amor do Espírito” (Rm 15:30) e “o Espírito de Deus” (Ef 4:30) revelam que amor e santidade constituem parte de sua natureza.
O Espírito Santo é onipotente. Distribui os dons espirituais “como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co 12:11). É onipresente. Ele irá “habitar” com seu povo “para sempre” (Jo 14:16). Ninguém pode escapar de sua influência (Sl 139:7-10). É também onisciente, uma vez que “o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as profundezas de Deus” e “as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito deDeus” (1Co 2:10, 11).
As obras de Deus são também associadas ao Espírito Santo. Tanto a criação quanto a ressurreição o envolveram. Disse Jó: “O Espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida” (Jó 33:4). O salmista acrescenta: “Envias o teu Espírito e eles são criados” (Sl 104:30). Paulo exclamou: “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita” (Rm 8:11).
Somente um Deus onipresente e pessoal – e não uma influência impessoal, ou um ser criado – poderia executar o milagre de trazer o divino Cristo à existência por meio de Maria. No Pentecostes, o Espírito tornou o Deus-homem, Jesus, universalmente presente a todos os recipientes que desejaram recebê-lo.
O Espírito Santo é considerado em pé de igualdade com o Pai e o Filho na fórmula batismal (Mt 28:19), na bênção apostólica (2Co 13:13) e na dissertação a respeito dos dons espirituais (1Co 12:4-6).
O Espírito Santo e a Divindade
Desde a eternidade, o Espírito Santo fez parte da Divindade, como o seu terceiro membro. O Pai, o Filho e o Espírito são igualmente autoexistentes. Embora todos sejam iguais, existe uma distribuição de funções que opera dentro da Trindade (ver capítulo 2 deste livro).
A verdade acerca do Espírito Santo é melhor compreendida quando a vemos por meio de Jesus Cristo. Quando o Espírito vem aos crentes, Ele vem como o “Espírito de Cristo” – ou seja, Ele não vem de seu próprio direito, apresentando suas próprias credenciais. Sua atividade histórica centraliza-se na missão salvadora de Cristo. O Espírito Santo esteve ativamente envolvido no nascimento de Jesus (Lc 1:35), confirmou seu ministério público por ocasião do batismo (Mt 3:16, 17) e aplicou os benefícios do sacrifício expiatório de Cristo e de sua ressurreição à humanidade (Rm 8:11).
Na organização interna da Divindade, o Espírito Santo parece desempenhar o papel de executor. Quando o Pai entregou seu Filho ao mundo (Jo 3:16), foi Ele concebido pelo Espírito Santo (Mt 1:18-20). O Espírito Santo veio para completar o plano, para torná-lo realidade.
O íntimo envolvimento do Espírito Santo na criação pode ser contemplado no registro da mesma (Gn 1:2). A origem e a manutenção da vida dependem de sua operação; sua partida significa morte. Diz a Bíblia que “se Deus [...] para si recolhesse o seu Espírito e o seu sopro, toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó” (Jó 34:14, 15; cf. 33:4). Podemos ver reflexos da obra criadora do Espírito quando contemplamos a obra de recriação que Ele opera em cada pessoa que abre o coração a Deus. Deus executa sua obra no coração dos indivíduos por intermédio do Espírito Criador. Assim, na encarnação, na criação e na recriação, o Espírito vem para tornar realidade as intenções de Deus.
O Espírito prometido
A intenção divina para nós é que sejamos lugares de habitação para o Espírito Santo (1Co 3:16). O pecado de Adão e Eva os separou tanto do Jardim do Éden quanto do Espírito Santo que habita no íntimo do indivíduo. Essa separação prossegue – a enormidade da pecaminosidade antes do dilúvio fez com que Deus declarasse: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem” (Gn 6:3).
Nos tempos do Antigo Testamento o Espírito Santo habilitou certos indivíduos, dando-lhes capacidade para que desempenhassem tarefas especiais (Nm 24:2; Jz 6:34; 1Sm 10:6). Por vezes, Ele aparece “em” algumas pessoas (Êx 31:3; Is 63:11). Sem dúvida, os crentes genuínos sempre tiveram consciência de sua presença, mas a profecia indicou que chegaria o tempo em que o Espírito seria derramado “sobre toda carne” (Jl 2:28) – um tempo em que manifestações mais notórias do Espírito fariam a humanidade ingressar em uma nova era.
Enquanto o mundo permanecesse nas mãos do usurpador, o derramamento da plenitude do Espírito deveria aguardar. Antes que o Espírito pudesse se estender sobre toda carne, Cristo teria de levar a efeito seu ministério terrestre e oferecer seu sacrifício expiatório. Apontando ao ministério de Cristo como sendo um ministério do Espírito, João Batista afirmou: “Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que Eu [...] Ele vos batizará com o Espírito Santo” (Mt 3:11). Mas os evangelhos não revelam que Jesus houvesse batizado com o Espírito Santo. Poucas horas antes de sua morte, Jesus prometeu aos discípulos: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade” (Jo 14:16, 17). Porventura foi o prometido Espírito recebido lá na cruz? Nenhuma pomba apareceu na sexta-feira da crucifixão – tão somente escuridão, aliviada por rajadas de relâmpagos.
Não foi senão depois de sua ressurreição que Jesus concedeu o Espírito Santo sobre seus discípulos (Jo 20:22). Ele disse: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24:49). Esse poder seria recebido “ao descer sobre vós o Espírito Santo”, fazendo com que o testemunho dos crentes se estendesse até aos confins da terra (At 1:8).
João escreveu: “O Espírito Santo até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado” (Jo 7:39). A aceitação do sacrifício de Cristo por parte do Pai era o pré-requisito para o derramamento do Espírito Santo.
A nova era irrompeu somente depois que nosso vitorioso Salvador se assentou no trono celestial. Depois de ter sido “exaltado [...] à destra de Deus”, afirma Pedro, Ele “derramou” o Espírito Santo (At 2:33) sobre seus discípulos, os quais – antecipando ansiosamente este evento – se achavam unânimes em orações e súplicas (At 1:5, 14). No Pentecostes, cinquenta dias após o Calvário, a nova era explodiu sob o poder total do Santo Espírito. “De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. Todos ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2:2, 4).
As missões de Jesus e do Espírito Santo eram, pois, totalmente interdependentes. A plenitude do Espírito Santo não poderia ser concedida a não ser depois que Jesus houvesse completado sua missão. Jesus, por sua vez, foi concebido pelo Espírito Santo (Mt 1:8-21), batizado pelo Espírito (Mc 1:9, 10), conduzido pelo Espírito (Lc 4:1), executou seus milagres por meio do Espírito (Mt 12:24-32), ofereceu-se a si mesmo no Calvário pelo Espírito (Hb 9:14, 15) e foi, em parte, ressuscitado pelo Espírito (Rm 8:11).
Jesus foi a primeira pessoa a experimentar a plenitude do Espírito. A estupenda verdade é que nosso Salvador e Senhor deseja derramar o seu Espírito sobre todos aqueles que o desejam ardentemente.
A missão do Espírito Santo
No anoitecer do dia anterior a sua morte, as palavras proferidas por Cristo no tocante a sua partida, encheram os discípulos de perturbação. Ele lhes assegurou imediatamente que haveria de lher enviar o Espírito Santo como seu representante pessoal. Eles não ficariam órfãos (Jo 14:18).
A origem da missão. O Novo Testamento revela o Espírito Santo de uma forma única e singular. Ele é identificado como o “Espírito de Jesus” (At 16:7), “Espírito de seu Filho” (Gl 4:6), “Espírito de Deus” (Rm 8:9), o “Espírito de Cristo” (Rm 8:9; 1Pe 1:11) e o “Espírito de JesusCristo” (Fp 1:19). Quem deu origem à missão do Espírito Santo – Jesus Cristo ou o Pai?
Quando Cristo revelou a origem da missão do Espírito Santo ao mundo perdido, mencionou duas fontes. Em primeiro lugar, referiu-se ao Pai: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, [...] o Espírito da verdade” (Jo 14:16, 17; cf. 15:26, onde lemos: “da parte do Pai”). O batismo com o Espírito Santo é chamado de “a promessa do Pai” (At 1:4). Em segundo lugar, Cristo fez menção de si próprio: “Eu vo-lo enviarei [o Espírito Santo]” (Jo 16:7). Portanto, o Espírito procede tanto do Pai quanto do Filho.
Sua missão ao mundo. Somente podemos reconhecer a soberania de Cristo se estivermos sob a influência do Espírito Santo. Paulo disse: “Ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo” (1Co 12:3).
A nós é concedida a certeza de que, por intermédio do Espírito Santo, Cristo, a “verdadeira luz, [...] ilumina a todo homem” (Jo 1:9). Sua missão é convencer “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16:8).
Em primeiro lugar, o Espírito Santo nos conduz a uma profunda convicção do pecado, especialmente do pecado de não aceitarmos a Cristo (Jo 16:9). Em segundo lugar, o Espírito insiste em que todos aceitem a justiça de Cristo. Em terceiro lugar, o Espírito nos adverte da realidade do julgamento, o que representa uma poderosa ferramenta para despertar as mentes obscurecidas pelos pecados, dando-lhes consciência da necessidade de arrependimento e conversão.
Uma vez que nos arrependemos, podemos experimentar o novo nascimento pelo batismo da água e do Espírito Santo (Jo 3:5). Nossa vida passa a ser uma nova vida, pois nos tornamos o lugar de habitação do Espírito de Cristo.
Sua missão em favor dos crentes. A maioria dos textos referentes ao Espírito Santo diz respeito a seu relacionamento com o povo de Deus. Sua santificadora influência conduz à obediência (1Pe 1:2), mas ninguém pode continuar recebendo sua presença permanente sem preencher certas condições. Pedro diz que Deus concedeu seu Espírito àqueles que lhe obedecem continuamente (At 5:32).[1] Dessa forma, os crentes são advertidos contra resistir, entristecer ou apagar o Espírito (At 7:51; Ef 4:30; 1Ts 5:19).
O que faz o Espírito Santo em favor dos crentes?
1. Ele os assiste. Ao apresentar o Espírito Santo, Jesus o identificou como “outro Parakletos” (Jo 14:16). Essa palavra grega tem sido traduzida como “Ajudador”, “Confortador”, “Consolador”, “Conselheiro” e pode também significar “Intercessor”, “Mediador” ou “Advogado”.
Além do Espírito, o único Parakletos mencionado nas Escrituras é o próprio Cristo. Ele é nosso advogado ou intercessor diante do Pai. “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2:1).
Na qualidade de intercessor, mediador e auxiliador, Cristo nos apresenta ao Pai e nos revela o Pai. Similarmente, o Espírito nos guia a Cristo e manifesta-nos a graça de Cristo. Isso explica por que o Espírito Santo é identificado como “Espírito da graça” (Hb 10:29). Uma de suas maiores contribuições é a aplicação da redentora graça de Cristo à vida das pessoas (1Co 15:10; 2Co 9:14; Tg 4:5, 6).
2. Ele revela a verdade de Cristo. Cristo mencionou o Espírito Santo como o “Espírito da verdade” (Jo 14:17; 15:26; 16:13). Sua função inclui o ato de trazer à nossa lembrança “todas as coisas [...] que vos tenho dito” (Jo 14:26) e guiar-nos “em toda a verdade” (Jo 16:13). Sua mensagem testifica de Jesus Cristo (Jo 15:26). Cristo afirmou: “Não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16:13, 14).
3. Ele traz a presença de Cristo. Ele não somente apresenta a verdade sobre Cristo, mas traz a própria presença de Cristo. Jesus disse: “Convém-vos que Eu vá, porque, se Eu não for, o Consolador [o Espírito Santo, de acordo com Jo 14:16, 17] não virá para vós outros; se, porém, Eu for, Eu vo-lo enviarei” (Jo 16:7).
Revestido do manto da humanidade, o Homem Jesus não podia ser onipresente, de modo que era conveniente que Ele partisse. Por meio do Espírito, Ele poderia estar presente em toda parte ao mesmo tempo. O Mestre afirmou: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade” (Jo 14:16, 17). Ele garantiu que o Espírito deveria habitar dentro das pessoas. “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros” (Jo 14:18). “O Espírito Santo é o representante de Cristo, mas despojado da personalidade humana e dela independente.”[2]
Na encarnação, o Espírito Santo trouxe a presença de Cristo a uma pessoa – Maria. No Pentecostes, o Espírito trouxe o vitorioso Cristo ao mundo. As promessas de Jesus – “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13:5) e “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28:20) – deveriam se cumprir por intermédio do Espírito Santo. Por essa razão, o Novo Testamento atribui ao Espírito Santo um título que Ele jamais recebe no Antigo Testamento – “o Espírito de Jesus” (Fp 1:19).
Da mesma forma como, por meio do Espírito, tanto o Pai quanto o Filho estabelecem morada no coração do crente (Jo 14:23), assim, a única forma pela qual os crentes podem permanecer em Cristo é pelo Espírito.
4. Ele conduz a operação da igreja. Uma vez que o Espírito Santo traz a própria presença de Cristo, Ele é o verdadeiro representante de Cristo na Terra. Sendo o verdadeiro centro de autoridade em termos de fé e doutrina, os caminhos pelos quais Ele conduz a igreja por certo estarão em pleno acordo com a Bíblia. “O traço que distingue o protestantismo – sem o qual este não existiria – é a alegação de que o Espírito Santo é o representante ou sucessor de Cristo na terra. Depender de organização, líderes ou sabedoria humana, é colocar o humano no lugar do divino.”[3]
O Espírito Santo achava-se intimamente envolvido na administração da igreja apostólica. Ao selecionar missionários, a igreja obteve sua orientação por meio da oração e do jejum (At 13:1-4). Os indivíduos escolhidos eram conhecidos por sua disposição em aceitar a direção do Espírito. O livro de Atos os descreve como “cheios do Espírito Santo” (At 13:9; cf. v. 52). Suas atividades achavam-se sob o controle do Espírito (At 16:6, 7). Paulo fez recordar aos líderes da igreja que eles haviam sido colocados nas respectivas posições pelo Espírito Santo (At 20:28).
O Espírito Santo desempenhou papel importante na solução de sérias dificuldades que ameaçaram a unidade da igreja. Efetivamente, a Escritura apresenta as decisões do primeiro concílio da igreja com as palavras: “Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós” (At 15:28).
5. Ele equipa a igreja com dons especiais. O Espírito Santo derramou dons especiais sobre a igreja. Nos tempos do Antigo Testamento, “o Espírito do Senhor” veio “sobre” indivíduos, concedendo-lhes poderes extraordinários com os quais puderam libertar a Israel (Jz 3:10; 6:34; 11:29). Concedeu igualmente a habilidade de profetizar (Nm 11:17, 25, 26;2Sm 23:2). O Espírito veio sobre Saul e Davi quando estes foram ungidos como líderes do povo de Deus (1Sm 10:6, 10; 16:13). A algumas pessoas, a infusão do Espírito Santo concedeu dons artísticos especiais (Êx 28:3; 31:3; 35:30-35).
Da mesma forma, na igreja cristã apostólica foi o Espírito Santo quem repartiu os dons que Cristo concedeu à sua igreja. O Espírito distribuiu esses dons aos crentes de acordo com sua vontade, de modo a beneficiar toda a igreja (At 2:38; 1Co 12:7-11). Ele providenciou o poder especial necessário para que a proclamação do evangelho chegasse “até aos confins da terra” (At 1:8; ver capítulo 17 deste livro).
6. Ele ocupa o coração dos crentes. A pergunta incisiva de Paulo aos crentes de Éfeso: “Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes?” (At 19:2), representa uma questão crucial para todo aquele que crê.
Ao receber uma resposta negativa daqueles discípulos, o apóstolo repousou as mãos sobre eles e então lhes foi concedido o batismo do Espírito Santo (At 19:6).
O incidente demonstra que a convicção de pecado que é trazida à luz pelo Espírito Santo e a infusão da vida com o Santo Espírito são duas coisas diferentes.
Jesus salientou a necessidade de sermos nascidos da água e do Espírito (Jo 3:5). Justamente antes da ascensão, Ele ordenou que os novos conversos fossem batizados “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19). Em harmonia com essa ordem, Pedro pregou que “o dom do Espírito Santo” deveria ser recebido por meio do batismo (At 2:38). Paulo confirma a importância do batismo do Espírito Santo (ver capítulo 15 deste livro) com um urgente apelo no sentido de que os crentes fossem cheios do Espírito (Ef 5:18).
O recebimento interior do Espírito Santo, que nos transforma à imagem de Deus, prossegue a obra de santificação que em nós iniciou a partir do novo nascimento. Deus nos salvou de acordo com sua misericórdia, “mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que Ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (Tt 3:5, 6).
“A ausência do Espírito é que torna tão destituído de poder o ministério da pregação. Pode haver erudição, talento, eloquência, ou qualquer dom natural ou adquirido; mas, sem a presença do Espírito de Deus, nenhum coração será tocado, nenhum pecador será ganho para Cristo. Por outro lado, se estiverem ligados a Cristo, se os dons do Espírito lhes pertecerem, o mais pobre e ignorante de seus discípulos terá um poder que influenciará corações. Deus os faz condutos para espalhar a mais elevada influência no universo.”[4]
O Espírito é vital. Todas as mudanças que Jesus Cristo opera em nós, advêm-nos pela operação do Espírito. Na qualidade de crentes deveríamos reconhecer constantemente que, sem o Espírito, não seremos capazes de empreender coisa alguma (Jo 15:5).
Nos dias atuais, o Espírito Santo dirige nossa mente para o maior dom de amor do Pai, manifestado em seu Filho. Ele insiste em que não resistamos a seus apelos, mas aceitemos o único meio pelo qual podemos ser reconciliados com nosso amorável e gracioso Pai.