Crença 15 · Doutrina: Igreja
O Batismo
Aparência da leitura
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O Batismo
Pelo batismo confessamos nossa fé na morte e na ressurreição de Jesus Cristo, e atestamos nossa morte para o pecado e nosso propósito de andar em novidade de vida. Assim reconhecemos a Cristo como senhor e salvador, tornamo-nos seu povo e somos aceitos como membros por sua igreja. O batismo é um símbolo de nossa união com Cristo, do perdão de nossos pecados e de nosso recebimento do Espírito Santo. É por imersão na água e depende de uma afirmação de fé em Jesus e da evidência de arrependimento do pecado. Segue-se à instrução nas Escrituras Sagradas e à aceitação de seus ensinos (Rm 6:1-6; Cl 2:12, 13; At 16:30-33; 22:16; 2:38; Mt 28:19, 20).
O Batismo
Nyangwira, que vivia na África Central, não considerava o batismo uma mera opção. Durante mais de um ano ela havia estudado avidamente a Bíblia. Desejava ardentemente se tornar cristã. Certo dia, durante a tarde, ela compartilhou com seu esposo as coisas que havia aprendido. Grandemente irado, ele gritou: “Não quero saber desta espécie de religião em minha casa, e se você continuar estudando, irei matá-la!” Embora se sentisse quebrantada, Nyangwira prosseguiu estudando, e logo achava-se preparada para o batismo.
Antes de se dirigir ao local do batismo, Nyangwira ajoelhou-se respeitosamente diante de seu esposo e lhe explicou que iria se batizar. Ele puxou seu enorme facão de caça e gritou: “Eu já lhe disse que não quero que você se batize. No dia em que isto ocorrer, irei matá-la.”
Mas Nyangwira, determinada a seguir seu Senhor, deixou a casa com as ameaças de morte ainda ressoando em seus ouvidos.
Antes de entrar na água, confessou seus pecados e dedicou a vida ao Salvador, sem saber se seria chamada a depô-la em favor de Cristo naquele mesmo dia. A paz encheu seu coração no momento em que foi batizada.
Retornando para casa, foi buscar o facão e entregou-o ao esposo.
– Você foi batizada? – perguntou ele, irritado.
– Sim – respondeu Nyangwira com simplicidade. – Aqui está o facão.
– Você está pronta para morrer?
– Sim, estou.
Espantado com a coragem da esposa, o marido não mais desejou matá-la.[1]
Quão importante é o batismo?
Vale o batismo tanto assim, a ponto de a pessoa se dispor a morrer por ele? Porventura requer Deus realmente o batismo? Será que a salvação depende de a pessoa ser batizada?
O exemplo de Jesus. Certo dia, Jesus deixou a oficina de carpintaria na vila de Nazaré e se dirigiu ao rio Jordão, onde seu primo João estava pregando. Aproximando-se de João, pediu o batismo. Maravilhado, João tentou dissuadi-lo, dizendo: “Eu é que preciso ser batizado por ti, e Tu vens a mim?”
“Deixa por enquanto”, respondeu Jesus, “porque, assim, nos convém cumprir toda a justiça” (Mt 3:14, 15).
O batismo de Jesus colocou para sempre, sobre esta ordenança,[2] a divina sanção (Mt 3:13-17; cf. Mt 21:25). O batismo é um aspecto de justiça do qual as pessoas podem participar. Uma vez que Cristo, aquele que não conheceu pecado, foi batizado para “cumprir toda a justiça”, nós, como pecadores, devemos fazer o mesmo.
O mandamento de Jesus. No final de seu ministério, Jesus ordenou aos discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28:18-20).
Nessa comissão Jesus deixou claro que Ele desejava que fossem batizados todos aqueles que quisessem se tornar parte de sua igreja, de seu reino espiritual. À medida que o Espírito Santo, valendo-se do ministério dos discípulos, trouxesse pessoas arrependidas para a aceitação de Jesus como o seu salvador, elas deveriam ser também batizadas em nome do Deus triúno. Seu batismo demonstraria que elas haviam ingressado em um relacionamento pessoal com Cristo e se comprometiam a viver em harmonia com os princípios de seu reino de graça. Cristo concluiu sua ordem de batizar, assegurando que estaria conosco “todos os dias, até à consumação do século”.
Depois da ascensão de Cristo, os apóstolos proclamaram a necessidade e urgência do batismo (At 2:38; 10:48; 22:16). Em resposta, multidões foram batizadas, constituindo a igreja do Novo Testamento (At 2:41, 47; 8:12), e aceitando a autoridade do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Batismo e salvação. Cristo ensinou que “quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16:16). Na igreja apostólica o batismo seguia-se imediatamente à aceitação de Cristo. Tratava-se da confirmação da fé dos novos crentes (cf. At 8:12; 16:30-34).
Pedro utilizou a experiência de Noé durante o dilúvio para ilustrar o relacionamento entre batismo e salvação. Nos tempos antediluvianos o pecado atingira tais proporções que – por intermédio de Noé – Deus advertiu o mundo a que se arrependesse face à destruição. Somente oito pessoas creram, entraram na arca, e foram salvas “através da água”. Pedro explica que a arca “figurando o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo” (1Pe 3:20, 21).
Pedro explicou que somos salvos por meio do batismo no mesmo sentido como Noé e sua família foram salvos através da água. Evidentemente foi Deus, e não as águas do dilúvio, quem salvou Noé. Por analogia, é o sangue de Cristo, e não a água do batismo, que remove os pecados da vida do pecador. “Mas o batismo, de modo semelhante à obediência de Noé ao entrar na arca, é a ‘resposta de uma boa consciência para com Deus’. Quando o homem, pelo poder de Deus, ‘responde’, a salvação providenciada ‘pela ressurreição de Jesus Cristo’se torna efetiva.”[3]
Entretanto, embora o batismo esteja vitalmente ligado à salvação, ele não é capaz de garanti-la.[4] Paulo considerava a experiência do êxodo israelita como análoga à do batismo.[5] “Não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual.” “Imersos” em água – a nuvem em cima e as muralhas de água a cada lado – o povo de Israel foi simbolicamente batizado enquanto atravessava o Mar Vermelho. Contudo, a despeito dessa experiência, “Deus não se agradou da maioria deles” (1Co 10:1-3, 5).Assim, nos dias atuais, o batismo não nos assegura automaticamente a salvação. A experiência de Israel foi escrita “para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1Co 10:11, 12).
“Um batismo”
A administração do batismo no mundo cristão varia bastante. Alguns empregam a imersão, em que a pessoa é submergida; outros usam a aspersão, em que a pessoa é borrifada; outros, ainda, utilizam a afusão, em que a água é deixada a cair sobre o corpo da pessoa. A prática de “um só batismo” é característica da unidade que o Espírito traz à igreja de Deus (Ef 4:5).[6] O que revela a Bíblia quanto ao significado do termo batizar, sobre a prática propriamente dita e sobre o seu significado espiritual?
O significado da palavra “batizar”. A palavra batizar provém do verbo grego baptizo, que implica imersão, uma vez que deriva do verbo bapto, que significa “mergulhar em ou sob”.[7] Quando o verbo batizar se refere ao batismo em água, traz consigo a ideia de imersão, de mergulhar a pessoa sob a água.[8]
No Novo Testamento, o verbo batizar é utilizado (1) para se referir ao batismo em água (por exemplo, Mt 3:6; Mc 1:9; At 2:41); (2) como metáfora do sofrimento e morte de Cristo (Mt 20:22, 23; Mc 10:38,39; Lc 12:50); (3) em relação à vinda do Espírito Santo (Mt 3:11; Mc 1:8; Lc 3:16; Jo 1:33; At 1:5; 11:16); e (4) para abluções ou rituais de lavagem das mãos (Mc 7:3, 4; Lc 11:38). Essa quarta aplicação denota simplesmente a lavagem para efeito de purificação cerimonial, e de modo algum legitima o batismo por afusão.[9] As Escrituras utilizam o termo batismo tanto para o batismo propriamente dito de Cristo quanto para a sua morte.
J. K. Howard observa que o Novo Testamento “não oferece evidências de que a aspersão tenha sido alguma vez a prática apostólica, mas todas as evidências apontam para a sua adoção posterior”.[10]
Batismo no Novo Testamento. Os incidentes de batismo em água registrados no Novo Testamento envolvem batismo por imersão. Lemos que João batizava no rio Jordão (Mt 3:6; cf. Mc 1:5) e em “Enom, pertode Salim, porque ali havia muitas águas” (Jo 3:23). Somente a imersão requereria “muitas águas”.
João submergiu Jesus. Ele batizou Jesus “no rio Jordão” e após o batismo Jesus saiu “da água” (Mc 1:9, 10; cf. Mt 3:16).[11]
A igreja apostólica também batizou por imersão. Quando o evangelista Filipe batizou o eunuco etíope, ambos “desceram à água” e “saíram da água” (At 8:38, 39).
O batismo na história. Antes da era cristã os judeus batizavam seus prosélitos por imersão. Os essênios de Qumran observavam a prática de imergir tanto os membros quanto os conversos.[12]
Evidências obtidas nas catacumbas e igrejas, dos mosaicos em pisos, paredes e tetos, das esculturas em relevo e de desenhos dos primeiros tempos do Novo Testamento, “testificam inequivocamente de que a imersão era a forma normal de batismo na igreja cristã durante os primeiros dez a catorze séculos”.[13] Batistérios nas antigas catedrais, igrejas e ruínas ao norte da África, Turquia, Itália, França e em qualquer outra parte ainda testificam da antiguidade dessa prática.[14]
O significado do batismo
O significado do batismo acha-se intimamente relacionado com a forma de praticá-lo. Alfred Plummer disse: “Somente quando o batismo é administrado por imersão, é que o seu significado pode ser plenamente visto.”[15]
Símbolo da morte e ressurreição de Cristo. Assim como ser coberto pelas águas simbolizava grau extremo de dificuldades e aflições (Sl 42:7; 69:2; 124:4, 5), assim o batismo de Jesus em água representava a aprovação profética de seus sofrimentos, morte e sepultamento (Mc 10:38; Lc 12:50); Sua saída das águas falava de sua subsequente ressurreição (Rm 6:3-5).
O batismo não teria tido significado como símbolo da paixão de Cristo “se a igreja apostólica houvesse praticado outra forma de batismo que não o de imersão”. Portanto, “o mais poderoso argumento em favor do batismo por imersão é o argumento teológico”.[16]
Símbolo de morte para o pecado e vida para Deus. No batismo o crente ingressa na paixão experimentada por nosso Salvador. Diz Paulo: “Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com Ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos [...] assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6:3, 4).
A intimidade do relacionamento entre o crente e Cristo é revelada pelas expressões “batizados em Jesus Cristo”, “batizados em sua morte” e “sepultados com Ele [...] pelo batismo”. Howard observou: “No ato simbólico do batismo, o crente participa da morte de Cristo, e em um sentido muito real esta morte se torna a sua morte; ele entra também na ressurreição de Cristo, e esta ressurreição se torna a sua ressurreição.”[17] O que se acha implicado na participação do crente na paixão do Senhor?
1. Morte para o pecado. No batismo, os crentes foram “unidos com Ele na semelhança da sua morte” (Rm 6:5) e “crucificados com Cristo” (Gl 2:19). Isso significa que “foi crucificado com Ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado” (Rm 6:6, 7).
Os crentes renunciaram a seu antigo estilo de vida. Eles se acham mortos para o pecado e confirmam que “as coisas antigas já passaram” (2Co 5:17). O batismo simboliza a crucifixão da velha vida. Não se trata apenas de morte, antes inclui o sepultamento. Somos “sepultados, juntamente com Ele, no batismo” (Cl 2:12). Assim como o sepultamento vem após a morte da pessoa, assim – quando o crente submerge nas águas – é sepultada a velha vida de pecados, que deixou de existir quando ele aceitou a Jesus Cristo.
No batismo, os crentes renunciam ao mundo. Em obediência ao mandado divino: “Retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras” (2Co 6:17), os candidatos tornam pública sua decisão de abandonar o serviço de Satanás e de receber a Cristo em sua vida.
Na igreja apostólica, o chamado ao arrependimento incluía o chamado para o batismo (At 2:38). Portanto, o batismo assinala também o genuíno arrependimento. Os crentes morrem para sua transgressão da lei e obtêm perdão dos pecados por meio do purificador sangue de Jesus Cristo. A cerimônia batismal representa uma demonstração de pu-rificação interior – a lavagem dos pecados que já foram confessados.
2. Vida para Deus. O poder da ressurreição de Cristo começa a operar em nossa vida. Habilita-nos a andar “em novidade de vida” (Rm 6:4) – mortos agora para o pecado, “mas vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6:11). Testificamos que a única esperança de vitória sobre a velha natureza se encontra na graça do Salvador ressurreto que nos providenciou uma nova vida espiritual por intermédio do poder energizante do Espírito Santo. Essa vida nova nos eleva a uma plataforma mais elevada de experiência humana, concedendo-nos novos valores, aspirações e desejos, que focalizam a submissão a Jesus Cristo. Somos novos discípulos de nosso Salvador, e o batismo é o sinal de nosso discipulado.
Símbolo de uma relação de concerto. Nos tempos do Antigo Testamento, a circuncisão assinalou o relacionamento de concerto entre Deus e Abraão (Gn 17:1-7).
O concerto abraâmico possuía tanto aspectos espirituais quanto temporais (ou nacionais). A circuncisão era um símbolo de identidade nacional. O próprio Abraão, bem como todos os meninos com oito dias ou mais de vida, deveriam ser circuncidados (Gn 17:10-14, 25-27). Qualquer homem não circuncidado deveria ser “eliminado” do povo de Deus, porque transgredira a relação de concerto (Gn 17:14).
Que o concerto tenha sido estabelecido entre Deus e Abraão, um adulto, revela a sua dimensão espiritual. A circuncisão de Abraão significava e confirmava a sua experiência prévia de justificação pela fé. A circuncisão representou para ele um “selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso” (Rm 4:11).
Mas circuncisão, por si só, não garantia a entrada na verdadeira dimensão espiritual do concerto. Frequentemente os porta-vozes de Deus advertiram de que coisa alguma menos que a circuncisão espiritual seria suficiente. “Circuncidai, pois, o vosso coração e não mais endureçais a vossa cerviz” (Dt 10:16; cf. 30:6; Jr 4:4). Os incircuncisos de coração deveriam ser punidos com os gentios (Jr 9:25, 26).
Quando os judeus rejeitaram a Jesus como o Messias, quebraram sua relação de concerto com Deus, pondo fim, com isso, à sua condição especial de povo escolhido de Deus (Dn 9:24-27; ver capítulo 4deste livro). Embora o concerto de Deus e suas promessas permanecessem os mesmos, Ele escolheu um novo povo. O Israel espiritual ocupou o lugar da nação judaica (Gl 3:27-29; 6:15, 16).
A morte de Cristo ratificou o novo concerto. As pessoas entraram nesse concerto por meio da circuncisão espiritual – uma resposta de fé ao sacrifício expiatório de Cristo. Os cristãos possuem “o evangelho da incircuncisão” (Gl 2:7). O novo concerto requer “fé interior” e não os “ritos exteriores”, por parte daqueles que desejam pertencer ao Israel espiritual. A pessoa pode ser um judeu por nascimento; mas cristão, alguém só pode se tornar por meio do novo nascimento. “Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão, nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua pelo amor” (Gl 5:6). O que importa é a “circuncisão [...] do coração, no Espírito” (Rm 2:28, 29).
O batismo – sinal de um relacionamento salvador com Jesus – representa essa circuncisão espiritual. “Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados juntamente com Ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2:11, 12).
“Tendo o ‘corpo da carne’ removido através da circuncisão espiritual executada por Jesus, aquele que é batizado entra em relação de concerto com Jesus. Como resultado, acha-se em condições de receber o cumprimento das promessas do concerto.”[18] “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. [...] Todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa” (Gl 3:27-29). Aqueles que ingressaram nesse relacionamento de concerto recebem a certeza de Deus: “Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jr 31:33).
Símbolo de consagração ao serviço de Cristo. Na oportunidade de Seu batismo, recebeu Jesus uma concessão especial do Santo Espírito, que significou sua unção ou dedicação à missão que o Pai lhe havia designado (Mt 3:13-17; At 10:38). Sua experiência revela que o batismo pela água e o batismo pelo Espírito devem andar juntos, e que o batismo que não veio acompanhado da recepção do Espírito Santo constitui uma experiência incompleta.
Na igreja apostólica, o derramamento do Espírito Santo, em geral, seguia-se ao batismo pela água. Assim, nos dias de hoje, quando somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, estamos sendo dedicados, consagrados e unidos aos três poderes do Céu e à proclamação mundial do evangelho.
O Espírito Santo nos prepara para esse ministério ao purificar nosso coração de todo pecado. João declarou que Jesus iria batizar-nos “com o Espírito Santo e com fogo” (Mt 3:11). Isaías revelou que Deus haveria de purificar seu povo das impurezas deste “com o Espírito de justiça e com o Espírito purificador” (Is 4:4). Deus declarou: “Purificar-te-ei como com potassa das tuas escórias e tirarei de ti todo metal impuro” (Is 1:25). “Deus é fogo consumidor” para o pecado (Hb 12:29). O Espírito Santo purificará a vida de todos os que a Ele se rendem, consumindo os seus pecados.
Depois o Espírito Santo supre essas pessoas com os seus dons. Esses representam uma “dotação divina especial, concedida por ocasião do batismo, a fim de habilitar o crente para servir à igreja e para ministrar em favor de todos aqueles que ainda não aceitaram a Jesus Cristo”.[19] Foi o batismo do Santo Espírito que habilitou a igreja apostólica a testemunhar (At 1:5, 8), e somente o mesmo batismo habilitará a igreja para completar sua missão de proclamação do evangelho eterno do reino (Mt 24:41; Ap 14:6).
Símbolo de ingresso na igreja. Como símbolo da regeneração da pessoa, ou novo nascimento (Jo 3:3, 5), o batismo assinala também o ingresso da pessoa no reino espiritual de Cristo.[20] Uma vez que ele une o novo crente a Cristo, funciona sempre como a porta de acesso à igreja. Por meio do batismo, o Senhor acrescenta novos discípulos ao corpo de crentes – seu corpo, a igreja (At 2:41, 47; 1Co 12:13). Assim, eles se tornam membros da família de Deus. Ninguém pode ser batizado sem se unir à família da igreja.
Qualificações para o batismo
As Escrituras comparam o relacionamento entre Cristo e sua igreja com o casamento. Neste, ambas as partes devem conhecer muito bem as responsabilidades e compromissos envolvidos. Aqueles que desejam o batismo, devem revelar em sua vida: fé, arrependimento e os frutos deste, bem como uma compreensão adequada do significado do batismo e da relação espiritual subsequente.[21]
Fé. Um dos pré-requisitos para o batismo é a fé no sacrifício expiatório de Jesus como o único meio de salvação do pecado. Cristo afirmou: “Quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16:16). Na igreja apostólica somente aqueles que criam no evangelho eram batizados (At 8:12, 36, 37; 18:8).
Uma vez que “a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (Rm 10:17), a instrução representa uma parte essencial da preparação para o batismo. A grande comissão de Cristo confirma a importância de semelhante instrução: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt 28:19, 20). Para que alguém possa se tornar um discípulo, é necessária a instrução.
Arrependimento. “Arrependei-vos”, disse Pedro, “e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (At 2:38). A instrução na Palavra de Deus produz não apenas fé, como também arrependimento e conversão. Em resposta ao chamado de Deus, as pessoas percebem sua condição de perdidas, confessam suas faltas, submetem-se a Deus, arrependem-se de seus pecados, aceitam a expiação operada por Cristo e se consagram a uma nova vida comEle. Sem conversão não podem entrar em relacionamento pessoal com Cristo Jesus. Unicamente por intermédio de arrependimento podem experimentar a morte para o pecado – e este é um pré-requisito para o batismo.
Frutos do arrependimento. Aqueles que almejam o batismo devem professar fé e experimentar arrependimento. Mas, a menos que também produzam “frutos dignos de arrependimento” (Mt 3:8), ainda não terão preenchido os requisitos bíblicos para o batismo. Sua vida necessita demonstrar seu comprometimento com a verdade conforme ela se manifesta em Jesus, e expressar o amor a Deus pela obediência a seus mandamentos. Na preparação para o batismo, necessitam demonstrar que abdicaram de suas crenças e práticas errôneas. Os frutos do Espírito revelados em sua vida, demonstrarão que o Senhor permanece neles e eles no Senhor (Jo 15:1-8). A menos que provejam evidências de seu relacionamento com Cristo, não estarão as pessoas em condição de se unirem à igreja.[22]
Exame de candidatos. Tornar-se membro da igreja envolve dar um passo espiritual por parte do membro; não se trata apenas de ter o nome anotado nos livros da igreja. Aqueles que ministram o batismo estão sob a responsabilidade de decidir quanto ao preparo dos candidatos para o sagrado rito. Devem assegurar-se de que os candidatos compreendem os princípios pelos quais a igreja subsiste que evidenciaram a experiência da nova criação e de agradável convivência com o Senhor Jesus.[23]
Ainda assim, devem os ministrantes ser cuidadosos para não julgar os motivos daqueles que procuram o batismo. “Quando, porém, uma pessoa se apresenta como candidato a membro da igreja, cumpre-nos examinar o fruto de sua vida, e deixar com ela própria a responsabilidade de seus motivos.”[24]
Alguns têm sido sepultados vivos na águas batismais. O eu ainda não estava morto. Esses não receberam nova vida em Cristo. Aqueles que se uniram à igreja desta forma trouxeram consigo as sementes da fraqueza e apostasia. Sua “influência não santificada” confunde os de dentro e de fora da igreja, ameaçando assim o verdadeiro testemunho.
Deveriam ser batizadas crianças pequenas? O batismo incorpora os novos crentes à igreja com base no contexto de “novo nascimento”. A conversão dos crentes os habilitou ao batismo e para a qualidade de membros. A incorporação ocorre face ao “novo nascimento”, e não face ao “nascimento infantil”. Essa é a razão por que os crentes são batizados – “assim homens como mulheres” (At 8:12, 13, 29-38; 9:17, 18; 1Co 1:14). “Em parte alguma do Novo Testamento”, admite Karl Barth, “é o batismo infantil permitido ou ordenado.”[25] G. R. Beasley-Murray confessa: “Considero-me incapaz de reconhecer no batismo infantil o batismo da igreja do Novo Testamento.”[26]
Pelo fato de recém-nascidos e crianças pequenas não poderem experimentar a conversão, não podem elas estar qualificadas para o batismo. Significa isso que elas se encontram excluídas da comunidade do novo concerto? Certamente não! Jesus não as excluiu de seu reino da graça. Lembremo-nos de haver Ele afirmado: “Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus. E, tendo-lhes imposto as mãos, retirou-se dali” (Mt 19:14, 15). Pais crentes desempenham um papel vital na condução de seus filhos àquela relação íntima com Cristo, que no decorrer do tempo as conduzirá ao batismo.
A resposta positiva de Jesus às mães que trouxeram suas criancinhas a fim de serem abençoadas, conduziu-nos à pratica de dedicarmos as crianças. Nesse ato, os pais trazem suas crianças à igreja, a fim de serem apresentadas ou dedicadas a Deus.
Qual seria a idade em que a pessoa poderia ser considerada como preparada para o batismo? Os indivíduos podem ser batizados sempre que (1) tenham idade suficiente para compreender o significado do batismo, (2) tenham-se rendido a Cristo e estejam convertidas, (3) compreendam os princípios fundamentais do cristianismo e (4) compreendam o significado de serem membros da igreja. Uma pessoa coloca sua salvação sob risco tão somente quando chega a uma idade em que é capaz de assumir a responsabilidade de tornar-se membro e rejeita a influência do Espírito Santo.
Uma vez que os indivíduos diferem no tocante a sua maturidade espiritual em qualquer idade que desejemos considerar, alguns estarão preparados para o batismo antes que outros. Assim, não podemos estabelecer idade mínima para o batismo. Quando os pais consentem que seus filhos sejam batizados em idade precoce, devem aceitar igualmente a responsabilidade pelo seu crescimento espiritual e desenvolvimento de caráter.
Os frutos do batismo
O fruto produzido pelo batismo é uma vida dedicada a Cristo. Alvos e aspirações focalizam-se em Cristo, não no eu. “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da Terra” (Cl 3:1, 2). O batismo não representa a consecução dos píncaros da experiência cristã. Conforme crescemos espiritualmente, adquirimos graças cristãs que devem ser usadas para servir a outros no plano divino de multiplicação: “Graça e paz vos sejam multiplicadas, no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor” (2Pe 1:2). Se permanecermos fielmente comprometidos com nossos votos batismais, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, em cujos nomes fomos batizados, garantir-nos-ão o acesso ao poder divino que nos assistirá em todas as emergências que enfrentarmos em nossa vida pós-batismal.
O segundo fruto é uma vida dedicada à igreja de Cristo. Não mais seremos indivíduos isolados; tornamo-nos membros da família de Cristo.Sendo pedras vivas nos tornamo parte do templo de Deus (1Pe 2:4, 5). Manteremos relacionamento especial com Cristo, a cabeça da igreja, de quem receberemos diariamente a graça para crescimento e desenvolvimento em amor (Ef 4:16). Assumimos nossas responsabilidades dentro da comunidade do concerto, cujos membros assumem, por sua vez, a responsabilidade por aqueles que agora se agregaram à igreja (1Co 12:12-26). Para o seu próprio bem, assim como para o bem de toda a igreja, estes novos membros devem ser envolvidos em uma vida de adoração, oração e amorável serviço (Ef 4:12).
O fruto final é uma vida que ocorrerá no (e para o) mundo. É verdade que aqueles que foram batizados devem ser considerados cidadãos do Céu (Fp 3:20). Mas nós fomos chamados para fora do mundo tão somente com o objetivo de sermos treinados dentro do corpo de Cristo e depois retornarmos para o mundo como servos, participantes no ministério salvador de Cristo. Verdadeiros discípulos não fugirão do mundo, escondendo-se na igreja; fomos gerados no reino de Cristo como missionários. Fidelidade ao nosso voto batismal envolve conduzir outros ao reino da graça.[27]
Deus espera hoje ansiosamente que ingressemos na vida abundante que Ele tão graciosamente providenciou. “E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome [do Senhor]” (At 22:16).