Crença 25 · Doutrina: Últimos Eventos
A Segunda Vinda de Cristo
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A Segunda Vinda de Cristo
A segunda vinda de Cristo é a bendita esperança da igreja, o grande ponto culminante do evangelho. A vinda do Salvador será literal, pessoal, visível e universal. Quando Ele voltar, os justos falecidos serão ressuscitados e, juntamente com os justos que estiverem vivos, serão glorificados e levados para o Céu, mas os ímpios morrerão. O cumprimento quase completo da maioria dos aspectos da profecia e a condição atual do mundo indicam que a vinda de Cristo está próxima. O tempo exato desse acontecimento não foi revelado, e somos, portanto, exortados a estar preparados em todo o tempo (Tt 2:13; Hb 9:28; Jo 14:1-3; At 1:9-11; Mt 24:14; Ap 1:7; Mt 24:43, 44; 1Ts 4:13-18; 1Co 15:51-54; 2Ts 1:7-10; 2:8; Ap 14:14-20; 19:11-21; Mt 24; Mc 13; Lc 21; 2Tm 3:1-5; 1Ts 5:1-6).
A Segunda Vinda de Cristo
Mamãe”, confidenciou um pequeno à hora de ir para a cama, “sinto tanta saudade de meu amigo Jesus. Quando Ele virá?” Essa criança mal poderia imaginar que o desejo de seu pequeno coração tem sido o anseio de longas eras. As palavras finais da Bíblia asseguram que o retorno ocorrerá em breve: “Certamente venho sem demora.” E João, o revelador, o leal companheiro de Jesus, acrescenta: “Amém. Vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).
Contemplar a Jesus! Unir-se para sempre àquele que nos ama infinitamente mais do que podemos imaginar! Receber o fim de todo sofrimento terrestre! Desfrutar da eternidade com os amados ressurretos, os quais agora dormem! Não admira que, desde a ascensão de Cristo, seus amigos tenham contemplado o futuro na expectativa desse dia.
Um dia Ele virá, ainda que, até mesmo para os santos, a sua vinda constitua uma irresistível surpresa – pois todos tiram sua soneca ou dormem durante a longa espera (Mt 25:5). À “meia-noite”, na hora mais escura da Terra, Deus manifestará seu poder ao libertar seu povo. As Escrituras assim descrevem os eventos: “Grande voz” procede “do santuário, do lado do trono, dizendo: Feito está!” Essa voz sacode a terra, causando tão “grande terremoto, como nunca houve igual desde que há gente sobre a Terra” (Ap 16:17, 18). As montanhas tremem, rochas são lançadas em todas as direções, e toda a Terra tem suas camadas deslocadas como as ondas do oceano. Sua superfície se rompe e “caíram as cidades das nações. [...] Todas as ilhas fugiram, e os montes não foram achados” (v. 19, 20). “O céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então, todos os montes e ilhas foram movidos dos seus lugares” (Ap 6:14).
A despeito do caos que se está manifestando no mundo físico, o povo de Deus toma alento quando vê “o sinal do Filho do homem” (Mt 24:30). Enquanto Ele desce sobre as nuvens do céu, todos os olhos veem o Príncipe da Vida. Nessa oportunidade, Ele vem não como homem de dores, mas como vitorioso conquistador que reclama o que é seu. Em lugar da coroa de espinhos, sua cabeça sustenta uma gloriosa coroa, e “tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES” (Ap 19:12, 16).
Em sua vinda, grande desespero atinge aqueles que se recusaram a reconhecer Jesus como Salvador e Senhor, e rejeitaram as exigências de sua lei durante a existência. Nada torna tão claro aos transgressores sua culpa quanto aquela voz que tão pacientemente insistiu: “Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer?” (Ez 33:11). “Os reis da Terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?” (Ap 6:15-17).
Mas o gozo daqueles que durante muito tempo aguardaram esse dia sobrepuja o desespero dos ímpios. A vinda do Redentor traz a seu glorioso clímax a história do povo de Deus; é este o seu momento de libertação. Com vibrante adoração eles exclamam: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e Ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos” (Is 25:9).
À medida que Jesus se aproxima, chama seus santos adormecidos de suas sepulturas e comissiona os anjos a reunir “os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus” (Mt 24:31). Em todo o mundo, os justos mortos ouvem a sua voz e se erguem de seus sepulcros – oh, feliz momento!
Então os justos vivos são transformados “num momento, num abrir e fechar de olhos” (1Co 15:52). Glorificados e sendo agora portadores da imortalidade, junto com os justos ressuscitados, são os santos erguidos aos ares, para o encontro com seu Senhor, com o qual permanecerão para sempre (1Ts 4:16, 17).
A certeza do retorno de Cristo
Os apóstolos e os cristãos primitivos consideravam o retorno de Cristo como a “bendita esperança” (Tt 2:13; cf. Hb 9:28). Esperavam que todas as promessas e profecias das Escrituras se cumprissem por ocasião do segundo advento (2Pe 3:13; cf. Is 65:17), pois esse é o próprio alvo da peregrinação cristã. Todo que ama a Cristo olha ansiosamente em direção ao futuro, ao dia em que estará apto a compartilhar com Ele de comunhão face a face – com Ele, com o Pai, com o Espírito Santo e com os anjos.
O testemunho das Escrituras. A certeza do segundo advento encontra suas raízes na confiabilidade das Escrituras. Pouco antes de sua morte, Jesus explicou aos discípulos que estaria retornando para junto do Pai a fim de lhes preparar lugar. Mas Ele também prometeu: “Virei outra vez” (Jo 14:3).
Assim como a primeira vinda de Cristo à Terra fora profetizada, também a sua segunda vinda é antecipada pelas Escrituras. Mesmo antes do dilúvio, Deus contou a Noé que seria a vinda de Cristo em glória o evento que poria termo ao pecado. Ele profetizou: “Eis que veio o Senhor entre Suas santas miríades, para exercer juízo contra todos e para fazer convictos todos os ímpios, acerca de todas as obras ímpias que impiamente praticaram, e acerca de todas as palavras insolentes que ímpios pecadores proferiram contra Ele” (Jd 14, 15).
Mil anos antes de Cristo, o salmista falou da vinda do Senhor para reunir o seu povo, dizendo: “Vem o nosso Deus, e não guarda silêncio; perante Ele arde um fogo devorador, ao seu redor esbraveja grande tormenta. Intima os céus lá em cima e a Terra, para julgar o seu povo. Congregai os meus santos, os que comigo fizeram aliança por meio de sacrifícios” (Sl 50:3-5).
Os discípulos de Cristo se regozijaram na promessa de seu retorno. Em meio às dificuldades que encontravam, a certeza dessa promessa sempre permitiu a renovação de sua coragem e força. O Mestre voltaria a fim de levá-los para a casa do Pai!
A garantia representada pela primeira vinda. A segunda vinda acha-se intimamente vinculada à primeira vinda de Cristo. Se Ele não houvesse vindo pela primeira vez e obtido uma vitória decisiva sobre o pecado e Satanás (Cl 2:15), não haveria razão para crer que algum dia voltará e porá fim ao domínio de Satanás sobre este mundo, restaurando-o à perfeição original. Uma vez, porém, que Ele apareceu “para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado”, temos também razões para crer que Ele “aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação” (Hb 9:26, 28).
O ministério celestial de Cristo. A revelação de Cristo a João torna claro que o santuário celestial é o centro do plano da salvação (Ap 1:12, 13; 3:12; 4:1-5; 5:8; 7:15; 8:3; 11:1, 19; 14:15, 17; 15:5, 6, 8;16:1, 17). As profecias indicadoras de que Ele já iniciou seu ministério final em favor dos pecadores, acrescentam à certeza de que Ele em breve retornará a fim de levar seu povo para o lar (ver capítulo 24 deste livro). A confiança em que Cristo está operando ativamente no sentido de consumar a redenção já alcançada na cruz, tem trazido grande encorajamento aos cristãos que contemplam o horizonte à espera de seu retorno.
A maneira do retorno de Cristo
Assim como Cristo falou a respeito dos sinais que indicariam a proximidade de sua vinda, mencionou também a preocupação de que seu povo não fosse enganado por falsos indicadores. Advertiu que antes do segundo advento surgiriam “falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos”. Ele admoestou: “Se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou Ei-lo ali!, não acrediteis” (Mt 24:24, 23). Estando previamente advertidos, estamos previamente armados. Tendo em vista habilitar os crentes para distinguirem entre o genuíno evento e as falsas demonstrações, várias passagens bíblicas revelam detalhes quanto à maneira do retorno de Cristo.
Retorno literal e pessoal. Quando Jesus ascendeu em uma nuvem, dois anjos se dirigiram aos discípulos, que ainda contemplavam, pasmados, o Salvador que acabara de desaparecer lá no alto, dizendo-lhes: “Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao Céu virá do modo como o vistes subir” (At 1:11).
Em outras palavras, disseram que o mesmo Senhor que naquele momento os havia deixado – um ser pessoal, de carne e osso, e não uma entidade meramente espiritual (Lc 24:36-43) – haveria de retornar à Terra. Seu segundo advento será tão literal e pessoal quanto o foi sua partida.
Retorno visível. A vinda de Cristo não será uma experiência interior, invisível, mas um real encontro com uma Pessoa visível. Não deixando qualquer terreno a dúvidas quanto à visibilidade de seu retorno, Jesus advertiu seus discípulos contra o risco de imaginarem um retorno secreto, ao comparar sua volta com a luminosidade e visibilidade do relâmpago (Mt 24:27).
A Escritura declara positivamente que tanto os justos quanto os ímpios testemunharão simultaneamente sua vinda. João escreveu: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram” (Ap 1:7). E Cristo mencionou a reação dos ímpios: “Todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória” (Mt 24:30).
Retorno audível. Acrescentando informações ao quadro de um reconhecimento universal do retorno de Cristo, a Bíblia afirma que sua vinda também se caracterizará por sons muito audíveis: “Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus” (1Ts 4:16). O “grande clangor de trombeta” acompanha a reunião de seu povo. Nada há de secreto aqui.
Retorno glorioso. Ao Cristo retornar, vem Ele como um conquistador, com poder e “na glória de seu Pai, com os seus anjos” (Mt 16:27). O apóstolo João retrata a glória do retorno de Cristo de modo mais dramático. Ele traça o quadro de Cristo cavalgando um cavalo branco e conduzindo inumeráveis exércitos celestiais. O esplendor sobrenatural do Cristo glorificado é evidente (Ap 19:11-16).
Retorno súbito e inesperado. Os crentes em Cristo, tendo almejado e aguardado por tanto tempo o retorno de seu Senhor, saberão quando Ele se aproximar (1Ts 5:4-6). Mas em relação aos habitantes da Terra em geral, o apóstolo Paulo escreveu: “O Dia do Senhor vem como ladrão de noite. Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores do parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1Ts 5:2, 3; cf. Mt 24:43).
Alguns têm entendido que a comparação feita por Paulo, da vinda de Cristo com a chegada de um ladrão, deva significar que Ele retornará de alguma forma secreta e invisível. Entretanto, tal modo de ver as coisas contradiz o quadro bíblico de Cristo retornando em glória e esplendor, à vista de todos (Ap 1:7). O ponto destacado por Paulo não é uma hipotética vinda secreta de Cristo, e sim o fato de que, para os que possuem mente mundana, será a sua volta tão inesperada quanto o aparecimento de um ladrão.
Cristo salientou o mesmo ponto ao comparar sua vinda com a inesperada destruição do mundo antediluviano pelas águas. “Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mt 24:38, 39). Embora Noé tenha pregado durante tantos anos a respeito do dilúvio vindouro, a maioria das pessoas foi apanhada de surpresa pelo evento. Havia duas classes de pessoas sobre a Terra. Uma cria nas palavras de Noé e assim entrou na arca e escapou da destruição; a outra – a imensa maioria – decidiu ficar do lado de fora da arca e assim “veio o dilúvio e os levou a todos” (Mt 24:39).
Evento cataclísmico. De modo semelhante ao dilúvio, o sonho de Nabucodonosor – a estátua de metal – retrata a maneira cataclísmica pela qual Cristo estabelecerá seu reino de glória (ver capítulo 4deste livro). Nabucodonosor viu uma grande imagem, cuja “cabeça era de fino ouro, o peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris, debronze; as pernas, de ferro, os pés, em parte, de ferro, em parte, de barro”. Depois “uma pedra foi cortada sem auxílio de mãos, feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então, foi juntamente esmiuçado o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a palha das eiras do estio, e o vento os levou, e deles não se viram mais vestígios. Mas a pedra que feriu a estátua se tornou em grande montanha que encheu toda a Terra” (Dn 2:32-35).
Por meio desse sonho, Deus concedeu a Nabucodonosor uma sinopse da história mundial. Entre os dias do rei e o estabelecimento do sempiterno reino de Cristo (a pedra), quatro impérios principais, seguidos de um conglomerado de nações fortes e fracas, ocupariam sucessivamente o palco dos eventos mundiais.
Mesmo nos dias de Cristo, os intérpretes já haviam identificado os quatro grandes impérios como sendo Babilônia (605 a 539 a.C.), Medo-Pérsia (539 a 331 a.C.), Grécia (331 a 168 a.C.) e Roma (168 a.C. a 476 d.C.).[1] Conforme profetizado, nenhum outro império sucederia Roma. Durante o quarto e quinto séculos de nossa era, o Império Romano se fragmentaria em vários reinos menores, os quais, mais tarde, se tornariam as nações da Europa. Através dos séculos, poderosos governantes – Carlos Magno, Carlos V, Napoleão, Kaiser Guilherme e Hitler – tentaram estabelecer outro império mundial. Todos eles fracassaram, pois a profecia advertira: “Não se ligarão um ao outro, assim como o ferro não se mistura com o barro” (Dn 2:43).
Finalmente, o sonho passou a focalizar o clímax dramático: o estabelecimento do eterno reino de Deus. A pedra cortada sem auxílio de mãos representa o reino da glória de Cristo (Dn 7:14; Ap 11:15), o qual será estabelecido sem qualquer esforço humano por ocasião do segundo advento.
O reino de Cristo não deverá coexistir com qualquer império humano. Quando Ele esteve na Terra, ocasião em que o Império Romano dominava o mundo, o reino da “pedra” que esmaga todas as nações ainda não havia aparecido. Somente depois da fase do ferro e do barro, presentes nos pés da estátua – o período das nações europeias divididas – é que a pedra entraria em cena. O reino de Cristo será estabelecido em seu segundo advento, quando Ele separar os justos dos ímpios (Mt 25:31-34).
Quando aparecer, esse reino atingirá a imagem “nos pés de ferro e de barro” e “esmiuçará e consumirá todos estes reinos”, deles não mais deixando nem “vestígios” (Dn 2:34, 44, 35). Efetivamente, o segundo advento é um acontecimento sensacional.
O segundo advento e a raça humana
O segundo advento de Cristo afetará as duas grandes divisões da humanidade – aqueles que o aceitaram e à salvação por Ele oferecida, e aqueles que lhe volveram as costas.
A reunião dos eleitos. Um aspecto importante do estabelecimento do reino eterno de Cristo é o ajuntamento de todos os redimidos (Mt 24:31; 25:32-34; Mc 13:27), que serão levados para o lar celestial preparado por Cristo (Jo 14:3).
Quando o líder de uma nação visita outra, somente umas poucas pessoas podem participar da comitiva de recepção. Contudo, quando Cristo vier, todos os crentes que viveram em qualquer época – sem distinção de idade, gênero, nível de educação, situação econômica ou raça – participarão da grande celebração do advento. Dois eventos tornarão possível essa reunião universal: a ressurreição dos justos mortos e a transformação dos justos vivos.
1. A ressurreição dos que morreram em Cristo. Ao soar a trombeta que anuncia o retorno de Cristo, os justos falecidos ressuscitarão incorruptíveis e imortais (1Co 15:52, 53). Naquele momento, “os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1Ts 4:16). Em outras palavras, eles ressuscitarão antes que os justos vivos sejam elevados aos ares para o encontro com o Senhor.
Os ressuscitados se unem novamente àqueles que choraram a sua partida. Nesse momento, eles exultam grandemente: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Co 15:55).
Não serão os corpos enfermos, envelhecidos ou mutilados que desceram à sepultura que se erguerão no momento em que os justos retomarem a vida: ao contrário, seus corpos serão novos, imortais, perfeitos, não mais revelando as marcas do pecado que os fizera entrar em decadência. Os santos ressurretos experimentarão o término da obra de restauração efetuada por Cristo, passando a refletir a perfeita imagem de Deus na mente, na alma e no corpo (1Co 15:42-54; ver capítulo 26 deste livro).
2. A transladação dos justos vivos. Quando os mortos justos experimentam a ressurreição, ocorre uma transformação dos justos que estiverem vivos sobre a face da Terra por ocasião do segundo advento. “Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade” (1Co 15:53).
No retorno de Cristo, nenhum grupo de crentes assume precedência sobre qualquer outro grupo. Paulo revela que os justos vivos e transformados serão “arrebatados juntamente com eles [os justos ressuscitados], entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (1Ts 4:17; cf. Hb 11:39, 40). Desse modo, todos os crentes estarão reunidos no grande encontro do segundo advento, tanto os justos ressuscitados de todas as eras quanto aqueles que estiverem vivos na chegada de Cristo.
A morte dos ímpios. Para os salvos o segundo advento representará uma oportunidade de alegria e libertação, mas para os perdidos será um tempo de devastante terror. Eles resistiram ao amor de Cristo e aos seus convites de salvação durante tanto tempo que se deixaram enfeitiçar pelas ilusões enganadoras (2Ts 2:9-12; Rm 1:28-32). Quando virem aquele a quem rejeitaram, vindo sobre as nuvens como Rei dos reis e Senhor dos senhores, saberão que terá chegado a hora de sua própria destruição. Esmagados pelo terror e desespero, clamarão às rochas inanimadas que os protejam (Ap 6:16, 17).
Nessa oportunidade, Deus destruirá Babilônia, a união de todas as religiões apóstatas. Ela “será consumida no fogo” (Ap 18:8). Ao líder dessa confederação – o mistério da iniquidade, o homem do pecado “o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda” (2Ts 2:8). Os poderes responsáveis pela imposição da marca da besta (ver capítulo 13 deste livro) serão “lançados no lago de fogo e enxofre”. Os maus restantes serão “mortos com a espada que saía da boca daquele que estava montado no cavalo” – Jesus Cristo, o Senhor (Ap 19:20, 21).
Sinais do breve retorno de Cristo
As Escrituras não somente revelam a maneira e o objetivo da vinda de Cristo, como também descrevem os sinais que indicam a proximidade desse evento épico. Os primeiros sinais indicadores da proximidade da volta de Jesus ocorreram mais de 1.700 anos depois da ascensão de Cristo; outros mais seguiram-se, contribuindo para evidenciar que seu retorno está muito próximo.
Sinais no mundo natural. Jesus predisse: “Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas” (Lc 21:25), especificando que “o Sol escurecerá, a Lua não dará sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados. Então, verão o Filho do homem vir nas nuvens, com grande poder e glória” (Mc 13:24-26). Adicionalmente, João viu um grande terremoto que precederia a manifestação dos sinais no céu (Ap 6:12). Todos esses sinais haveriam de assinalar o fim dos 1.260 anos de perseguição (ver capítulo 13 deste livro).
1. O testemunho da Terra. Em cumprimento a essa profecia, “o maior de todos os terremotos conhecidos”[2] ocorreu em 1º de novembro de 1755. Conhecido como o terremoto de Lisboa, seus efeitos foram observados na Europa, África e América, cobrindo uma área de mais de 10 milhões de quilômetros quadrados. Seu poder destruidor centralizou-se em Lisboa, Portugal, onde, em questão de minutos, arrasou edifícios públicos e residenciais, causando milhares de mortes.[3]
Embora os efeitos físicos do terremoto tenham sido imensos, seu impacto sobre o pensamento da época não foi menor. Muitos que então viviam reconheceram-nos como um sinal do fim[4] e passaram a dar consideração séria ao julgamento de Deus e aos últimos dias. O terremoto de Lisboa representou um fator de incremento no estudo das profecias.
2. O testemunho do Sol e da Lua. Vinte e cinco anos mais tarde, ocorreu o próximo sinal mencionado na profecia – o escurecimento do Sol e da Lua. Cristo havia indicado a ocasião do cumprimento deste sinal, observando que ele deveria vir em seguida à grande tribulação, os 1.260 anos de perseguição papal mencionados em várias outras porções das Escrituras (Mt 24:29; ver capítulo 13 deste livro). Mas Cristo dissera também que a tribulação que precederia estes sinais seria abreviada (Mt 24:21, 22). Por meio da influência da Reforma e dos movimentos que dela se originaram, a perseguição papal foi efetivamente abreviada, de tal modo que, em meados do século dezoito, ela praticamente cessara.
Em cumprimento à profecia de Cristo, o dia 19 de maio de 1780 testemunhou uma extraordinária escuridão na porção nordeste do continente norte-americano.[5]
Rememorando esse evento, Timothy Dwight, presidente da Universidade Yale, disse: “O dia 19 de maio de 1780 foi memorável. Candeeiros foram acesos em muitas casas; os pássaros silenciaram e desapareceram, e as galinhas se retiraram para os poleiros. [...] A opinião geral prevalecente era de que o dia do juízo havia chegado.”[6]
Samuel Williams, de Harvard, relatou que a escuridão “aproximou-se com as nuvens do sudoeste ‘entre as 10 e as 11 horas da manhã e prosseguiu até a meia-noite seguinte’, variando de intensidade e duração em diferentes lugares. Em algumas localidades ‘as pessoas não conseguiam enxergar o suficiente como para ler escrita comum ao ar livre’”.[7] Na opinião de Samuel Tenny, “a escuridão daquela noite foi provavelmente a maior jamais observada desde que o Todo-Poderoso deu origem à luz. [...] Se todos os corpos celestes luminosos do universo tivessem sido envoltos em nuvens impenetráveis, ou eliminados da existência, a escuridão não poderia ter sido mais completa”.[8]
Às 9 horas da noite, ergueu-se a Lua, mas a escuridão persistiu até à meia-noite. Quando a Lua se tornou visível, sua aparência era como de sangue.
João, o revelador, profetizara os extraordinários eventos desse dia. Depois do terremoto, escreveu ele, o Sol se tornaria “negro como saco de crina, a Lua [...] como sangue” (Ap 6:12).
3. O testemunho das estrelas. Tanto Cristo quanto João profetizaram a queda das estrelas, indicando o evento como outro sinal do breve aparecimento de Cristo (Ap 6:13; cf. Mt 24:29). A grande chuva de meteoros ocorrida em 13 de novembro de 1833 – o mais extraordinário espetáculo de estrelas cadentes de que há registro – cumpriu essa profecia. Estimou-se que um observador isolado poderia haver contado em média cerca de 60 mil meteoros por hora.[9] O fenômeno foi observado desde o Canadá até o México, e do meio do Atlântico até o Pacífico;[10] muitos cristãos reconheceram nele o cumprimento da profecia bíblica.[11]
Uma testemunha ocular disse que “dificilmente se poderia perceber no céu um espaço que não estivesse instantaneamente ocupado por essas estrelas cadentes, tampouco se poderia perceber entre elas qualquer diferença particular no tocante à aparência, embora por vezes elas se projetassem em grupos – trazendo à memória a ‘figueira que lança de si os seus frutos, quando sacudida por forte vento’”.[12]
Cristo concedeu esses sinais com o propósito de alertar os cristãos quanto à proximidade de sua vinda, de modo que pudessem se regozijar e empreender cabal preparo para a mesma. Ele disse: “Ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima.” E acrescentou: “Vede a figueira e todas as árvores. Quando começam a brotar, vendo-o, sabeis, por vós mesmos, que o verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus” (Lc 21:28-31).
O testemunho singular da Terra, do Sol, da Lua e das estrelas, que ocorreu na exata sequência e tempo preditos por Cristo, dirigiu a atenção de muitos para as profecias referentes ao segundo advento.
Sinais no mundo religioso. A Escritura prediz que certo número de sinais significativos no mundo religioso marcariam o tempo que precederia imediatamente o retorno de Cristo.
1. Um grande despertamento religioso. O livro de Apocalipse revela o surgimento de um grande movimento religioso de extensão mundial, ocorrendo antes do segundo advento. Na visão dada a João, um anjo que anuncia a volta de Cristo simboliza esse movimento: “Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a Terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14:6, 7).
A própria mensagem indica quando ela deveria ser pregada. O evangelho eterno tem sido pregado ao longo dos séculos. Mas esta mensagem, enfatizando o aspecto do juízo dentro do evangelho, somente poderia ser pregada no tempo do fim, pois seria então verdade que “é chegada a hora do seu juízo”.
O livro de Daniel nos informa que no tempo do fim as suas profecias seriam abertas, retirando-se o “selo” de sobre as mesmas (Dn 12:4). Nessa oportunidade, as pessoas compreenderiam os seus mistérios. A remoção do selo ocorreu quando o período de 1.260 anos de supremacia papal chegou ao fim, mediante o aprisionamento do papa em 1798. A combinação entre aprisionamento do papa e os sinais ocorridos no mundo natural, conduziu muitos cristãos ao estudo das profecias relacionadas com os eventos da segunda vinda de Cristo, e isso resultou em uma nova profundidade na compreensão dessas profecias.
Essa focalização do segundo advento também desencadeou um reavivamento mundial da esperança do advento. Assim como os reformadores se ergueram independentemente nos vários países, assim ocorreu com o movimento adventista. A natureza mundial desse movimento é um dos mais claros sinais de que a volta de Cristo se aproxima. Assim como João Batista preparou o caminho para o primeiro advento de Cristo, assim o movimento adventista está preparando o caminho para seu segundo advento – proclamando a mensagem de Apocalipse 14:6 a 12, o último apelo de Deus para que todos se preparem para o glorioso retorno do Salvador (ver capítulos 13 e 24 deste livro).[13]
2. Pregando o evangelho. Deus “estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça” (At 17:31). Advertindo-nos quanto a esse dia, Cristo não disse que ele chegaria quando o mundo inteiro se houvesse convertido, mas que “será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim” (Mt 24:14). Portanto, Pedro estimula os crentes a esperar e apressar a vinda do dia de Deus (2Pe 3:12).
As estatísticas referentes à tradução e distribuição da Bíblia no corrente século, dão conta do crescimento do testemunho do evangelho. Em 1900, a Bíblia achava-se disponível em 537 idiomas. Em 1980, ela havia sido traduzida – no todo ou em parte – para 1.811 idiomas, representando aproximadamente 96 por cento da população do mundo. Semelhantemente, a distribuição anual das Escrituras passou de 5,4 milhões de exemplares em 1900 para cerca de 48,4 milhões de Bíblias e mais de meio bilhão de porções da Bíblia em 2000.[14]
Adicionalmente, possui agora o cristianismo uma variedade sem precedente de recursos para utilizar em sua missão: agências de serviços, instituições médicas e educacionais, obreiros nacionais e estrangeiros, emissoras de rádio e televisão e vultosos meios financeiros. Nos dias de hoje, poderosas emissoras de rádio de ondas curtas podem levar o evangelho a praticamente todos os países ao redor do mundo. Utilizados sob a orientação do Espírito Santo, esses recursos jamais igualados poderão tornar realidade o alvo de evangelizar todo o mundo em nossos dias.
Os adventistas do sétimo dia, contando com membros que representam cerca de 947 idiomas e dialetos, estão proclamando o evangelho em 216 países. Quase 94 por cento desses membros vivem fora da América do Norte. Por crermos que as obras médica e educacional desempenham papel essencial na pregação do evangelho, estamos operando cerca de 627 hospitais, casas de saúde,clínicas e dispensários, lares para crianças e lares para idosos, 7 aviões e lanchas médicas, 21 fábricas de produtos alimentícios saudáveis, 114 escolas superiores e universidades, 2.050 escolas secundárias, 5.371 escolas fundamentais e 15 centros de mídia. Nossas63 editoras produzem literatura em 366 idiomas e nossas emissoras de rádio de ondas curtas atingem cerca de 75 por cento da população mundial. O Espírito Santo tem abençoado grandemente o nosso impulso missionário.
3. Declínio religioso. A proclamação ampla do evangelho não significa necessariamente um crescimento maciço do genuíno cristianismo. Ao contrário, as Escrituras predizem um declínio da verdadeira espiritualidade no tempo do fim. Paulo disse que, “nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder” (2Tm 3:1-5).
Assim é que hoje o amor ao eu, às coisas materiais e ao mundo tem suplantado o Espírito Santo em muitos corações. As pessoas não mais querem permitir que os princípios da lei divina dirijam sua vida; a revolta contra a lei predomina. “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos” (Mt 24:12).
4. Ressurgimento do papado. De acordo com a profecia bíblica, no fim dos 1.260 anos o papado receberia uma “ferida mortal”, mas não chegaria a morrer (ver capítulo 12 deste livro). As Escrituras revelam também que essa ferida mortal seria curada. O papado experimentaria glande renovação de sua influência e respeito – “e toda a Terra se maravilhou, seguindo a besta” (Ap 13:3). Já nos dias de hoje, muitos veem o papa como líder moral da humanidade.
Em grande medida, o crescimento da influência do papado ocorreu quando os cristãos substituíram a autoridade da Bíblia pelas tradições, padrões humanos ou ciência. Ao assim procederem, tornaram-se vulneráveis ao “homem da iniquidade” que opera “com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira” (2Ts 2:9). Satanás e seus instrumentos trarão à existência uma confederação do mal, simbolizada pela iníqua e tríplice união do dragão, besta e falso profeta, que enganará o mundo (Ap 16:13, 14; cf. 13:13, 14). Somente aqueles cuja orientação provém da Bíblia e que “guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:12) poderão resistir com êxito a essa arrasadora e enganosa confederação.
5. Declínio da liberdade religiosa. O reavivamento do papado afetará dramaticamente o cristianismo. A liberdade religiosa, obtida a grande custo, assegurada pela separação entre igreja e estado, será solapada e finalmente abolida. Com o apoio de poderosos governantes civis, esse poder apóstata tentará impor a sua forma de adoração a todas as pessoas. Todos terão de decidir entre a lealdade a Deus e seus mandamentos e a lealdade à besta e sua imagem (Ap 14:6-12).
A pressão para que a pessoa se adapte a essas imposições, incluirá coerção econômica: “Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta, ou o número do seu nome” (Ap 13:17). Com o decorrer do tempo, aqueles que se recusarem submeter-se serão ameaçados com a pena de morte (Ap 13:15). Durante esse tempo de provação final, Deus intervirá em favor de seu povo e livrará todo aquele que tiver o nome escrito no livro da vida (Dn 12:1; cf. Ap 3:5; 20:15).
Aumento da iniquidade. O declínio espiritual no seio do cristianismo e o reavivamento do homem da iniquidade têm conduzido à crescente negligência da lei de Deus na igreja e na vida dos crentes. Muitos têm chegado a crer que Deus aboliu a lei e que os cristãos não mais se encontram sob a obrigação de observá-la. Esse desrespeito à lei de Deus tem levado a grande aumento dos crimes e do comportamento imoral.
1. Rápido aumento dos crimes. O desrespeito à lei de Deus que é corrente em vastos arraiais cristãos tem contribuído para o desprezo que a moderna sociedade vota à lei e à ordem. Em todo o mundo, o crime acha-se explosivamente fora de controle. Um relatório preenchido pelos correspondentes de várias capitais mundiais declara: “Tal como nos Estados Unidos, o crime acha-se em ascensão em praticamente todos os países do mundo.” “De Londres a Moscou e Johannesburgo, o crime está se tornando rapidamente a maior ameaça, levando à alteração do modo de vida das pessoas.”[15]
2. Revolução sexual. A desconsideração para com a lei de Deus também lançou por terra os parâmetros da modéstia e da pureza, resultando em uma explosão de imoralidade. Hoje, o sexo é idolatrado e comercializado por meio de filmes, televisão, vídeo, músicas, revistas e propagandas.
A revolução sexual resultou em um espantoso aumento da taxa de divórcios, aberrações como o “casamento aberto” ou compartilhamento de parceiros, abuso sexual de crianças, apavorante número de abortos, homossexualidade e lesbianismo generalizados e epidemias de doenças sexualmente transmissíveis, entre as quais a aids (síndrome da imuno-deficiência adquirida).
Guerras e Calamidades. Jesus apresentou ainda o seguinte quadro, que ocorreria antes de sua volta: “Levantar-se-á nação contra nação, e reino, contra reino; haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu” (Lc 21:10, 11; cf. Mc 13:7; Mt 24:7). À medida que o fim se aproxima e se intensifica o conflito entre as forças divinas e as satânicas, essas calamidades também se tornarão mais severas e frequentes, o que hoje pode ser visto como nunca antes.
1. Guerras. Embora as guerras sempre tenham desgraçado a humanidade, nunca dantes na História foram elas tão globais e destrutivas. As duas guerras mundiais causaram maior número de baixas e sofrimentos do que todas as guerras anteriores combinadas.[16]
Muitos veem hoje a perspectiva de um novo conflito de extensão mundial. A Segunda Guerra Mundial não erradicou as guerras. Desde então, até 1982, ocorreram cerca de “140 conflitos desenvolvidos com armas convencionais, nos quais cerca de 10 milhões de pessoas morreram”.[17]
2. Desastres naturais. Parece que os desastres sofreram acentuado aumento nos anos recentes. Cataclismas recentes da Terra e da atmosfera, sobrepondo-se um ao outro, têm levado alguns a se perguntar se a natureza perdeu o controle – e se o mundo está experimentando alterações climáticas e estruturais profundas, as quais se intensificarão no futuro.[18]
3. Fomes. Fomes ocorreram muitas vezes no passado, mas nunca haviam se manifestado na escala presenciada durante o presente século. Nunca dantes tivera o mundo milhões de pessoas sofrendo tanto de inanição quanto de subnutrição.[19] As perspectivas futuras não parecem mais otimistas. A extensão sem precedentes da inanição assinala claramente que o retorno de Cristo é iminente.
Preparados todo o tempo
A Bíblia assegura repetidamente que Jesus retornará. Mas será que Ele virá daqui a um ano? Cinco anos? Dez? Vinte anos? Ninguém sabe ao certo. O próprio Jesus declarou: “A respeito daquele dia e hora ninguém sabe [...] senão o Pai” (Mt 24:36).
Próximo ao final de seu ministério terrestre, Cristo contou a parábola das dez virgens a fim de ilustrar a experiência da igreja nestes últimos dias. As duas classes de virgens representam duas espécies de crentes que professam estar aguardando o seu Senhor. São chamados de virgens porque professam fé pura. Suas lâmpadas representam a Palavra de Deus, e o óleo representa o Espírito Santo.
Superficialmente, ambos os grupos parecem iguais; ambos saem para encontrar o noivo, ambos possuem óleo em suas lâmpadas, e sua conduta não aparenta diferenças. Todos eles ouviram a mensagem do breve retorno de Cristo e aguardam a sua ocorrência. Mas quando acontece uma aparente demora – então a fé dos dois grupos é provada.
Repentinamente, à meia-noite – à hora mais escura da história terrestre – eles ouvem um clamor: “Eis o noivo! Saí ao seu encontro” (Mt 25:6). Então, torna-se evidente a diferença entre os dois grupos: algumas pessoas não estão preparadas para encontrar o noivo. Essas virgens “néscias” não são hipócritas; elas respeitam a verdade, a Palavra de Deus. Entretanto, não possuem o óleo – não foram seladas pelo Espírito Santo (cf. Ap 7:1-3). Esses cristãos se satisfizeram com um trabalho superficial e não caíram sobre a Rocha, Cristo Jesus. Eles possuem uma forma de piedade mas estão destituídos do poder de Deus.
Ao chegar o noivo, somente aqueles que estão prontos entram com Ele no salão da festa para celebrar o casamento, e então a porta se fecha. Depois de algum tempo, as virgens néscias, que foram comprar mais óleo, retornam e clamam: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta!” Mas o noivo responde: “Em verdade vos digo que não vos conheço” (Mt 25:11, 12).
Quão triste é pensar que, ao retornar à Terra, Jesus pronunciará essas mesmas palavras a alguns que Ele ama. Ele advertiu: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mt 7:22, 23).
Antes do dilúvio, Deus enviou Noé para alertar o mundo antediluviano da vindoura destruição. De modo similar, Deus está enviando a tríplice mensagem de advertência a fim de preparar o mundo para o retorno de Cristo (Ap 14:6-16).
Todos os que aceitam a mensagem de misericórdia de Deus se regozijarão diante da perspectiva da segunda vinda. Pertence-lhes a certeza: “Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro” (Ap 19:9). De fato, “Cristo [...] aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação” (Hb 9:28).
O retorno do Redentor representa o glorioso clímax da história do povo de Deus. É o momento de sua libertação, de modo que, cheios de alegria e senso de adoração eles exclamam: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos. [...] Na sua salvação exultaremos e nos alegraremos!” (Is 25:9).