Crença 8 · Doutrina: Salvação
O Grande Conflito
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O Grande Conflito
Toda a humanidade está agora envolvida num grande conflito entre Cristo e Satanás quanto ao caráter de Deus, sua lei e sua soberania sobre o universo. Esse conflito se originou no Céu quando um ser criado, dotado de liberdade de escolha, por exaltação própria, tornou-se Satanás, o adversário de Deus, e conduziu à rebelião uma parte dos anjos. Ele introduziu o espírito de rebelião neste mundo, ao induzir Adão e Eva ao pecado. Esse pecado humano resultou na deformação da imagem de Deus na humanidade, no transtorno do mundo criado e em sua consequente devastação por ocasião do dilúvio global, conforme retratado no relato histórico de Gênesis 1 a 11. Observado por toda a criação, este mundo se tornou o palco do conflito universal, dentro do qual será finalmente vindicado o Deus de amor. Para ajudar seu povo nesse conflito, Cristo envia o Espírito Santo e os anjos leais para os guiar, proteger e amparar no caminho da salvação (Ap 12:4-9; Is 14:12-14; Ez 28:12-18; Gn 3; Rm 1:19-32; 5:12-21; 8:19-22; Gn 6-8; 2Pe 3:6; 1Co 4:9; Hb 1:14).
O Grande Conflito
As Escrituras retratam uma batalha cósmica entre o bem e o mal, entre Deus e Satanás. Se compreendermos esta controvérsia, na qual se acha envolvido o universo inteiro, compreenderemos a pergunta: “Por que Jesus veio a este planeta?”
Visão cósmica da controvérsia
Mistério dos mistérios, o conflito entre o bem e o mal começou no Céu. Como pôde o pecado se originar em um ambiente perfeito?
Os anjos, seres pertencentes a uma ordem superior à dos seres humanos (Sl 8:5), foram criados para desfrutar de íntimo companheirismo com Deus (Ap 1:1; 3:5; 5:11). Possuindo força superior e sendo obedientes à Palavra de Deus (Sl 103:20), eles funcionam como servos ou “espíritos ministradores” (Hb 1:14). Embora geralmente invisíveis, por vezes podem assumir a forma humana (Gn 18, 19; Hb 13:2). Foi por meio de um desses seres angélicos que o pecado foi introduzido no universo.
A origem da controvérsia. Utilizando os reis de Tiro e de Babilônia como descrições figurativas de Lúcifer, as Escrituras proveem vislumbres de como a controvérsia cósmica iniciou. “Lúcifer, filho da alva”, ungido como querubim cobridor, residia na presença de Deus (cf. Is 14:12;Ez 28:14).[1] Dizem as Escrituras: “Tu és o sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti” (Ez 28:12, 15).
Embora o surgimento do pecado seja inexplicável e injustificável, suas raízes podem ser encontradas no orgulho de Lúcifer: “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa de teu resplendor” (Ez 28:17). Lúcifer se recusou a permanecer contente com sua exaltada posição, recebida do Criador. Em seu egoísmo, cobiçou a igualdade com o próprio Deus: “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao Céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei. [...] Serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:13, 14). Contudo, embora ele desejasse a posição de Deus, não almejava seu caráter. Ansiava possuir a autoridade de Deus, mas não seu amor. A rebelião de Lúcifer contra o governo de Deus foi o primeiro passo em sua transformação em Satanás, “o adversário”.
As dissimuladas ações de Lúcifer cegaram muitos dos anjos ao amor de Deus. O descontentamento e deslealdade resultantes – em relação ao governo divino – cresceram até que uma terça parte dos anjos se uniu a ele em rebelião (Ap 12:4). A tranquilidade do reino deDeus foi perturbada e “houve batalha no Céu” (Ap 12:7). O estado de beligerância celestial resultou em que Satanás – retratado como o grande dragão, a antiga serpente e o demônio – fosse lançado para a Terra, e, junto com ele, seus anjos rebeldes (Ap 12:9).
Por que os seres humanos se envolveram? Tendo sido expulso do Céu, Satanás espalhou sua rebelião aqui em nosso mundo. Disfarçado de serpente e utilizando os mesmos argumentos que haviam causado sua própria ruína, conseguiu minar a confiança de Adão e Eva nas palavras do Criador (Gn 3:5). Satanás fez surgir em Eva o descontentamento com a posição por ela ocupada. Envaidecida com a perspectiva de se tornar igual a Deus, aceitou as palavras do tentador – pelo que duvidou de Deus. Desobedecendo ao mandamento divino, comeu do fruto proibido e influenciou seu esposo a igualmente comê-lo. Pelo fato de crerem nas palavras da serpente mais do que em seu Criador, traíram sua confiança em Deus e se portaram deslealmente em relação a Ele. Tragicamente, as sementes da controvérsia que havia começado no Céu, lançaram raízes no planeta Terra (Gn 3).
Ao seduzir nossos primeiros pais ao pecado, Satanás engenhosamente roubou-lhes o domínio que possuíam sobre a Terra. Reclamando agora para si o título de “príncipe deste mundo”, Satanás desafiou a Deus, Seu governo e a paz de todo o Universo, a partir de seu novo quartel-general, o planeta Terra.
O impacto sobre a raça humana. Os efeitos da batalha entre Cristo e Satanás em pouco tempo se tornaram evidentes, à medida que o pecado distorceu a imagem de Deus que havia na humanidade. Embora Deus houvesse oferecido seu concerto de graça à raça humana por meio de Adão e Eva (Gn 3:15; ver capítulo 7 deste livro), o filho mais velho do casal, Caim, assassinou seu irmão Abel (Gn 4:8). A maldade continuou a se multiplicar até que, tristemente, Deus teve de dizer, a respeito do homem, que a sua maldade “se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Gn 6:5).
Deus utilizou um grande dilúvio para purificar o mundo de seus impenitentes habitantes, e concedeu à raça humana um novo começo (Gn 7:17-20). Pouco tempo decorreu, contudo, antes que os descendentes do fiel Noé se desviassem do concerto de Deus. Embora Deus houvesse prometido jamais tornar a destruir o mundo pelo dilúvio, eles desafiadoramente concretizaram sua desconfiança de Deus ao erigirem a torre de Babel, em uma tentativa de alcançar os céus e assim disporem de meios para escapar a um possível novo dilúvio. Nessa ocasião, Deus subverteu a rebelião humana pela confusão das línguas (Gn 9:1, 11; 11).
Algum tempo mais tarde, com a Terra se aproximando da apostasia total, Deus estendeu seu concerto a Abraão. Por intermédio desse patriarca, Deus planejava abençoar todas as nações do mundo (Gn 12:1-3; 22:15-18). Contudo, as sucessivas gerações de descendentes de Abraão se provaram infiéis ao gracioso concerto divino. Envolvidos no pecado, contribuíram com Satanás, ajudando-o a alcançar seu objetivo na grande controvérsia, que foi a crucifixão do autor e fiador do concerto, Jesus Cristo.
Terra, palco do universo. No livro de Jó, há o relato de uma convocação cósmica que envolveu representantes de várias partes do universo. Esse relato provê lampejos adicionais a respeito da grande controvérsia. Assim começa o relato: “Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor e disse: De rodear a terra e passear por ela” (Jó 1:6, 7; cf. 2:1-7).
Foi então que o Senhor disse: “Satanás, observe o meu servo Jó. Ele obedece fielmente as minhas leis. Ele é perfeito!” (cf. Jó 1:8).
Satanás contra-atacou: “Sim, ele é perfeito, mas o é apenas porque precisa pagar a ti. Não é verdade que tu o proteges?” Cristo respondeu permitindo que Satanás provasse a Jó da forma como bem entendesse, desde que sua vida não fosse tomada (cf. Jó 1:9-2:7).
A perspectiva cósmica provida pelo livro de Jó fornece poderosas provas da grande controvérsia entre Cristo e Satanás. Este planeta é o palco sobre o qual está sendo travada esta luta dramática entre o certo e o errado. As Escrituras estabelecem: “Porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens” (1Co 4:9).
O pecado rompeu o relacionamento existente entre Deus e o ser humano, e “tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14:23). A transgressão dos mandamentos de Deus, ou leis, é o resultado imediato da falta de fé, a evidência de ruptura do relacionamento. Por outro lado, por meio do plano da salvação, Deus pretende restaurar a confiança no Criador, a qual leva a um relacionamento de amor que se manifesta por de obediência. Conforme observou Cristo, o amor conduz à obediência (Jo 14:15).
Nesta nossa era de ilegalidade, os absolutos são neutralizados, a desonestidade é louvada, a corrupção é um meio de vida, o adultério é avassalador e os acordos, tanto internacionais quanto pessoais, são considerados como pouco importantes. É nosso privilégio olhar para além de nosso desesperado mundo, em direção a um Deus que vela por nós e é onipotente. Essa visão mais abrangente nos revela a importância da expiação efetuada por nosso Salvador, pois ela está fazendo a controvérsia universal se aproximar do fim.
A questão cósmica
Qual é a questão-chave nesta luta de vida ou morte que se trava no universo?
A lei e o governo de Deus. A lei moral de Deus é tão necessária à existência de seu universo quanto o são as leis físicas que o mantêm unido e em funcionamento. Pecado “é a transgressão da lei” (1Jo 3:4), ou “ausência de lei”, conforme indica a palavra grega anomia. A ausência de lei resulta da rejeição de Deus e de seu governo.
Em vez de admitir sua responsabilidade pelo estado de ilegalidade existente no mundo, Satanás lança acusações contra Deus. Afirma que a lei de Deus – segundo ele, arbitrária – restringe a liberdade individual. Adicionalmente – acusa ele – uma vez que é impossível obedecer a lei divina, ela trabalha em sentido contrário aos interesses dos seres criados. Através dessa constante e insidiosa subversão da lei, Satanás tenta subverter o governo de Deus e até mesmo destruir o próprio Deus.
Cristo e a questão da obediência. As tentações enfrentadas por Cristo durante seu ministério terrestre, revelam a gravidade da controvérsia no tocante à obediência e submissão à vontade de Deus. Ao enfrentar aquelas tentações, as quais o prepararam para se tornar “misericordioso e fiel sumo sacerdote” (Hb 2:17), Cristo se defrontou em combate direto com um adversário mortal. Lá no deserto, depois de haver jejuado durante quarenta dias, Jesus foi tentado por Satanás a transformar as pedras em pão, dando assim uma “prova” de que realmente era o Filho de Deus (Mt 4:3). Assim como Satanás havia tentado Eva a duvidar da palavra de Deus lá no Éden, ele tentou levar Cristo a duvidar da validade daquilo que Deus lhe dissera por ocasião de seu batismo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3:17). Se Cristo houvesse tomado o assunto em suas próprias mãos, transformando pedras em pães a fim de provar que era o Filho de Deus, também teria – à semelhança de Eva – revelado falta de confiança em Deus. Sua missão teria findado em fracasso.
A mais elevada prioridade de Cristo, porém, era viver pela palavra do Pai. A despeito de sua imensa fome, respondeu à tentação de Satanás com as palavras: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4).
Em outra tentativa para derrotar a Cristo, Satanás lhe ofereceu uma visão panorâmica de todos os reinos do mundo, prometendo-lhe: “Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares” (Mt 4:9). Ele deixou implícito que, assim procedendo, Cristo poderia reaver o mundo, completando sua missão, sem ter de suportar a agonia do Calvário. Sem um momento sequer de hesitação, Jesus ordenou: “Retira-te, Satanás.” Então, utilizando as Escrituras – a mais efetiva arma nesta guerra universal – o Salvador prosseguiu: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto” (Mt 4:10). Essas palavras encerraram a batalha. Pelo fato de manter sua total dependência do Pai, Cristo havia conseguido derrotar a Satanás.
A luta final do Calvário. Essa controvérsia cósmica alcançou seu clímax no Calvário. Satanás intensificou seus esforços no sentido de fazer abortar a missão do Salvador à medida que o tempo se aproximava do fim. O inimigo foi especialmente bem-sucedido ao utilizar os líderes religiosos da época, cuja inveja – face à popularidade de Cristo – causou tantos problemas que Ele teve de encerrar seu ministério público (Jo 11:45-54). Através da traição por parte de um de seus discípulos e de testemunhos falsos, Jesus foi aprisionado, julgado e condenado à morte (Mt 26:63, 64; Jo 19:7). Em absoluta obediência à vontade de seu Pai, Jesus permaneceu fiel até à morte.
Os benefícios, tanto da vida quanto da morte de Cristo, estenderam-se para muito além do limitado mundo dos seres humanos. Falando a respeito da cruz, Cristo disse: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe [Satanás] será expulso” (Jo 12:31); “O príncipe deste mundo já está julgado” (Jo 16:11).
A controvérsia cósmica atingiu o clímax no Calvário. O amor e a fiel obediência demonstrados por Cristo ali na cruz, face à crueldade de Satanás, subverteram a posição deste, assegurando sua derrota final.
Controvérsia a respeito da verdade tal qual ela é em Jesus
Hoje, a grande controvérsia que se desencadeia em torno da autoridade de Cristo envolve não apenas sua lei, como também sua Palavra – as Escrituras. Desenvolvem-se abordagens de interpretação da Bíblia que deixam pouco ou nenhum espaço para a divina revelação.[2] As Escrituras são tratadas como se não houvesse diferença entre elas e outros escritos antigos, sendo analisadas mediante os mesmos métodos críticos. Crescente número de cristãos, incluindo muitos teólogos, não mais veem as Escrituras como a Palavra de Deus, a infalível revelação de Sua vontade. Consequentemente, chegaram ao ponto de questionar a visão bíblica da pessoa de Jesus Cristo: sua natureza, nascimento virginal, seus milagres e sua ressurreição têm sido vastamente debatidos.[3]
A mais crucial de todas as questões. Quando Cristo perguntou: “Quem diz o povo ser o Filho do homem?”, os discípulos responderam: “Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16:13, 14). Em outras palavras, a maioria de seus contemporâneos o consideravam meramente um homem. As Escrituras prosseguem com o relato. Jesus perguntou aos doze: “Mas vós [...] quem dizeis que Eu sou?”
“Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
“Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus” (Mt 16:15-17).
Nos dias de hoje, todos defrontam a mesma questão apresentada por Cristo aos discípulos. A resposta da pessoa a esta questão de vida ou morte, depende de sua fé no testemunho da Palavra de Deus.
O centro das doutrinas bíblicas. Cristo é o foco das Escrituras. Deus nos convida a compreender a verdade tal qual ela é em Jesus (Ef 4:21), pois Ele é a verdade (Jo 14:5). Uma das estratégias de Satanás no conflito cósmico é tentar convencer as pessoas de que podem compreender a verdade independentemente de Cristo. Assim, vários centros de verdade têm sido propostos, quer individualmente, quer combinados uns com os outros: (1) o homem, (2) a natureza, ou universo observável, (3) as Escrituras e (4) a igreja.
Embora todas essas fontes tenham sua parte na revelação da verdade, as Escrituras apresentam a Cristo como o criador de cada uma delas, transcendendo-lhes. Todas somente encontram significado real naquele de quem derivam. Divorciar dele as doutrinas bíblicas significa compreensão errônea do “caminho, e a verdade e a vida” (Jo 14:6). Faz parte da natureza do anticristo sugerir outros centros de verdade, distintos de Cristo. (No original grego, anticristo não significa apenas “contra Cristo”, mas também “em lugar de Cristo”.) Ao colocar alguns outros centros de verdade em lugar de Cristo, no contexto das doutrinas bíblicas, Satanás alcançou seu objetivo de desviar a atenção daquele que representa a única esperança da humanidade.
A função da teologia cristã. A visão cósmica desvenda a tentativa de Satanás no sentido de remover Cristo de seu devido lugar, tanto no universo quanto na verdade. A teologia, que por definição é o estudo de Deus e de Seu relacionamento com as criaturas, deve expor todas as doutrinas à luz de Cristo. A função e objetivo da teologia cristã deve ser inspirar confiança na autoridade da Palavra de Deus e substituir todos os demais centros de verdade por Cristo Jesus. Quando ela se ocupa desta função, a teologia cristã serve adequadamente à igreja, pois se dirige à própria raiz da controvérsia cósmica, expondo-a e enfrentando-a com o único argumento não controvertido – Cristo, conforme revelado nas Escrituras. A partir dessa perspectiva, Deus pode utilizar a teologia como um instrumento efetivo no auxílio à humanidade, ao esta se opor aos esforços de Satanás na Terra.
O significado da doutrina
A doutrina da grande controvérsia revela a tremenda batalha que afeta todas as pessoas uma vez nascidas neste mundo – ou seja, que em realidade atinge todos os rincões do universo. Diz a Escritura: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6:12).
A doutrina produz um estado de constante vigilância. A compreen-são desta doutrina convence a pessoa da necessidade de combater o mal. O sucesso será possível tão somente por meio da dependência de Jesus Cristo, o Capitão dos exércitos, Aquele que é “forte e poderoso, o Senhor, poderoso nas batalhas” (Sl 24:8). Conforme disse Paulo, o fato de assumirmos a estratégia de sobrevivência indicada por Cristo, significa tomarmos sobre nós “toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis. Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade e vestindo-vos da couraça da justiça. Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz; embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6:13-18). Quão grande é o privilégio do verdadeiro cristão! Viver uma vida que se caracterize pela paciência e fidelidade, uma permanente prontidão para enfrentar o conflito (Ap 14:12), manifestando constante dependência daquele que nos torna “mais que vencedores” (Rm 8:37).
Isso explica o mistério do sofrimento. O mal não se originou com Deus. Aquele que ama a justiça e aborrece a iniquidade (Hb 1:9), não pode ser acusado diante da miséria do mundo. Satanás, um anjo caído, é o responsável pela crueldade e sofrimento. Podemos compreender melhor os roubos, assassinatos, funerais, crimes e acidentes – aqueles que mais nos partem o coração – quando os contemplamos dentro da moldura do grande conflito.
A cruz testifica tanto da capacidade destruidora do pecado quanto das profundidades do amor de Deus em favor dos pecadores. Portanto, a grande controvérsia constitui um tema que nos ensina a odiar o pecado e a demonstrar amor pelo pecador.
Ela expõe o atual interesse amorável de Cristo pelo mundo. Após seu retorno ao Céu, Cristo não deixou seus filhos órfãos. Manifestando grande compaixão, providenciou-nos todo auxílio possível na batalha contra o mal. O Espírito Santo foi comissionado a “enchernos” em favor de Cristo, representando nossa constante companhia até que Jesus retorne outra vez (Jo 14:16; cf. Mt 28:20). Os anjos também foram comissionados a se envolver com sua obra salvadora (Hb 1:14). Nossa vitória está assegurada. Podemos manifestar esperança e coragem quando contemplamos o futuro, uma vez que o nosso Mestre está no comando. Nossos lábios podem se abrir em magnífico louvor diante de sua obra redentora.
Ela revela o significado cósmico da cruz. A salvação da humanidade achava-se em jogo durante o ministério e morte de Cristo, pois Ele veio para oferecer a vida para a remissão de nossos pecados. Ao assim proceder, vindicou o caráter, a lei e o governo do Pai, contra os quais Satanás lançara falsas acusações.
A vida de Cristo vindicou a justiça e a bondade de Deus, demonstrando que a lei e o governo de Deus eram justos. Cristo revelou a falta de fundamento dos ataques de Satanás contra Deus, mostrando que por meio de total dependência do poder e da graça de Deus, os pecadores arrependidos podem se erguer acima dos aborrecimentos e frustrações causados pelas tentações, e podem viver vitoriosamente em relação ao pecado.